
Vista geral da reunião da executiva regional do PT nessa quarta-feira
O blog ouviu na noite desta quinta-feira, 1, importantes petistas que participaram de todo o processo interno que resultou na escolha do ex-prefeito de Porto Nacional Paulo Mourão como o candidato a senador da legenda na chapa Força do Povo, do governador Carlos Henrique Gaguim (PMDB). São duas as conclusões dessas fontes aliadas do prefeito de Palmas, Raul Filho: a primeira é que algo "muito estranho" teria ocorrido para que Mourão conseguisse se fazer escolhido para a vaga de senador; a segunda é que a executiva do PT errou com Raul.
Dessa forma, esses petistas avaliam que a missão mais urgente da executiva do partido nem é trocar o candidato a senador, mesmo que Mourão já seja considerado inviabilizado, pelos raulzistas e membros da própria executiva pela forma como operou sua escolha. Segundo essas fontes, o maior desafio da executiva agora é trazer Raul de volta para o processo que definirá a participação petista na chapa de Gaguim.
Conforme essas fontes, Raul foi para Brasília na segunda-feira, 28, depois de um apelo feito por Mourão. "Ele disse que, sem Raul, não conseguiria convencer o governo Lula lhe dar suporte para ser candidato", contou um dos informantes ouvidos pelo blog. "O Raul só foi a Brasília pelo Paulo, em função do apelo dele, que não queria ficar sozinho, queria força política."
Ficou claro que, em Brasília, teriam duas opções: ou Mourão conseguia apoio e estrutura para sua candidatura ao governo, ou retiraria seu nome e não disputaria nada.
Na reunião, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, defendeu a retirada da candidatura de Mourão para que a ex-ministra Dilma Rousseff tivesse apenas um, e forte, palanque no Tocantins. Mourão, sempre conforme as fontes, aceitou, mas disse que não tinha interesse em ser candidato a nada. Padilha insistiu para ele ser o senador, o que também foi feito por Raul, mas o ex-prefeito de Porto Nacional recusou terminantemente.
Padilha, então, convidou Mourão a seguir com ele, Raul e o presidente regional do PT, Donizeti Nogueira, para a Câmara, onde se encontrariam com o presidente nacional do PMDB, Michel Temer, o governador Gaguim e a executiva peemedebista. Mourão não quis ir, Padilha insistiu e o portuense acabou aceitando. Mas, ao chegar à Câmara, Mourão decidiu que não iria mais à reunião. "Não saio nessa foto", teria dito ele.
A definição de Solange
Raul chegou de Brasília, ainda na segunda-feira, 28, pensando no nome do ex-deputado federal Darci Coelho como candidato a senador do PT na composição com Gaguim. Afinal, Darci já tinha sido escolhido semana passada e, ao aceitar o convite, deixou de lado o projeto de voltar à Câmara dos Deputados, que vinha trabalhando havia muito tempo.
| Fotos: Lindomar Gomes |
 |
| Governador Gaguim, prefeito Raul e Donizeti com Temer e ministro Padilha |
Contudo, o grupo de aliados de Raul, que o buscou no aeroporto de Palmas, ponderou que Darci não seria o nome adequado para a chapa porque é de Tocantinópolis, portanto, também da região norte do Estado, como o candidato a senador da coligação Força do Povo, Marcelo Miranda, e a própria candidata a vice-governadora Valderez Castelo Branco (PP). Assim, sugeriram, o nome ideal seria da deputada estadual e primeira-dama Solange Duailibe, que representaria na chapa a região central do Tocantins.
Conforme as fontes ouvidas, Raul rejeitou a ideia de pronto, porque, como disse aos aliados, "não queria legislar em causa própria". Os aliados insistiram e depois de horas de debate convenceram o prefeito.
Por volta das 2 horas da madrugada de quarta-feira, 30, dia das convenções, esse grupo foi à casa do ex-deputado Darci Coelho, que estava dormindo. Após se trocar, ele recebeu o grupo, entendeu as razões e concordou com elas.
Pela manhã, antes mesmo da entrevista coletiva convocada por Raul para as 8 horas de quarta-feira, o prefeito falou com Darci, e disse que se o ex-deputado quisesse continuar na vaga de Senado, ficaria. Raul ressaltou que não queria magoar Darci. O ex-parlamentar e ex-secretário de Governo do prefeito afirmou que estava tranquilo e que não haveria problemas. Então, após a coletiva, seguiram todos para a convenção.
Tudo ensaiado
Conforme uma fonte ouvida pelo blog, na reunião da executiva, no Hotel Arco-Íris, quando o grupo chegou, já sentiu "um clima estranho". "As pessoas estavam diferentes, e nós políticos conhecemos as pessoas só pelo seu olhar", afirmou o petista ouvido. "O teatro estava montado."
De cara, disse, com 12 dos 13 membros da executiva presentes, 7 já deram encaminhamento para votação pela manutenção da candidatura própria, ignorando totalmente o pedido do ministro Padilha e do candidato a vice-presidente de Dilma, deputado federal Michel Temer. "Aquilo nos assustou, ficamos perplexos, sem qualquer discussão, sem um debate, apenas discursos intensos em favor da candidatura própria. Discursamos dizendo que estava claro que não havia condições, que havia a solicitação da nacional, que não podia ser simplesmente ignorado; e que não poderíamos ser irresponsáveis e partir para uma campanha só com uma bandeira nas costas", contou a fonte.
Então, segundo ela, "de repente, aqueles que estavam defendendo com intensidade a candidatura própria, passaram a concordar com a gente, assim, do nada, e passaram a apoiar a retirada do Paulo e a composição com o PMDB". "Ficou muito claro o circo, o teatro", criticou.
Então, a executiva aprovou a composição com o PMDB por 9 votos a 3 - só votaram contra os membros dos setores radicais.
Senado
A fonte afirmou que até agora não sabe como Paulo Mourão conseguiu a maioria em favor de sua candidatura ao Senado. "Não tivemos chance, foi um rolo compressor que passou sobre nós. O Raul foi desrespeitado pela executiva, e ele é nosso líder maior", disse.
Segundo essa fonte, o próprio presidente regional do PT, Donizeti Nogueira, hoje licenciado para concorrer à Câmara Federal, discursou e teria afirmado que o partido não deveria retirar Paulo Mourão da disputa, "mas todos devem assinar para ele ser nosso senador".
| Foto: Osvaldo Neto/CT |
 |
| Mourão ao lado de Gaguim, já como candidato a senador aprovado pelo PT |
Decisão respeitada
A fonte disse que, apesar de decepcionados, pela disciplina partidária, todos os raulzistas aceitaram a decisão. Raul e Solange sequer foram à convenção do PMDB. Após o evento do PMDB, Gaguim foi à residência de Raul, que assegurou ao governador que está firme em sua campanha e que vai às ruas "com unhas e dentes". O prefeito disse a Gaguim que deixou de ir à convenção não por causa do governador.
"Contudo, até aí, viamos a derrota como parte de uma armação, mas dentro da política partidária. Quando vimos o que, na verdade, estava por trás de tudo isso, os bastidores, o jogo sujo, envolvendo outros grupos políticos, Siqueira Campos, ficamos arrasados. Não fazíamos ideia de nada disso", afirmou a fonte.
Segundo ela, tudo o que falou o deputado federal Vicentinho Alves (PR), candidato a senador da coligação Tocantins Levado a Sério, sobre seus encontros com Paulo Mourão, "está dentro de um contexto cujos detalhes só conhece quem sabe muito do que está falando". "Por exemplo: o avião do Cleyton Maia. Foi arrumado pelo Raul para o Paulo. Como o Vicentinho sabia do avião do Cleyton Maia?", perguntou o petista.
Para ele, a executiva "pagou um preço alto e errou". "Agora está desmoralizada, não é só o Paulo Mourão. Trocaram um projeto sério, que era a candidatura da deputada Solange ao Senado, por um teatro armado pelo Paulo. Agora precisam se desculpar com o Raul e convencê-lo a voltar para esse processo", avaliou a fonte.