Tonolucro
Cleber Toledo

Empréstimo para fins eleitoreiros

CLEBER TOLEDO 23 de Aug de 2017 - 09h35
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Foto: Dicom AL/Divulgação
Deputados, governo, prefeitos e Caixa se reúnem nesta quarta para o rateio da parte que caberá aos municípios

Mais uma vez quero remar contra a correnteza e discordar do fim que está sendo dado ao empréstimo de R$ 453 milhões junto à Caixa Econômica Federal. Distribuir ao bel-prazer dos prefeitos grande parte desses recursos, às custas de maior endividamento de um Estado já penalizado por anos de mau planejamento, é de uma irresponsabilidade monumental. Como a coluna já defendeu, essa operação só se justificaria para investimentos em obras estratégicas que ou aumentarão a capacidade de arrecadação do Estado, ou reduzirão seus custos operacionais.

Os deputados, governo, prefeitos e Caixa se reúnem nesta quarta-feira, 23, para o rateio da parte que caberá aos municípios. Mas esses dois pressupostos que deveriam balizar as definições sobre o empréstimo sequer estão em pauta. O único elemento à mesa para o debate são as eleições de 2018. É a orientação exclusiva: agradar bons cabos eleitorais.

Ou seja, os interesses e dificuldades vividas pelo Estado, que deveriam ser os norteadores fundamentais dessa discussão, estão engavetados. O Tocantins, que já paga cerca de R$ 450 milhões de juros por ano, vai aumentar este passivo para atender interesses eleitoreiros.

Ninguém está aqui ignorando as dificuldades vividas pelos municípios. Ao contrário, a coluna sempre tem defendido que é preciso repensar a distribuição de recursos com um novo Pacto Federativo, uma vez que o cidadão não vive no governo federal e no Estado, dois entes abstratos, mas na cidade. É nela que ele trabalha, educa seus filhos, faz suas compras e paga seus impostos.

Porém, não é essa a preocupação que se vê. Até porque esses recursos não estão sendo destinados ao custeio das prefeituras, a maior dificuldade dos municípios, e nem poderia sê-lo. Mas, no que caberá aos prefeitos nesse quinhão dos recursos da Caixa, as obras são meramente de interesse municipal, em sua grande maioria, sem qualquer conexão com políticas estratégicas para o Estado.

Podem ser investimentos muito importantes aos municípios, mas não dizem respeito ao governo do Tocantins, que poderia até bancá-los, mas não neste contexto de crise extrema que vive.

O silêncio dos órgãos de controle também preocupa. Nenhuma recomendação, absolutamente nada. Vão esperar essa loucura ocorrer, quando a situação se complicará, para agir ou tombarão inertes diante desse descalabro?

Lógico que o fácil neste momento é bater palmas e dizer que a AL está preocupada com os municípios. Mas, quando se analisa a situação fiscal e financeira do Tocantins e o fim a que deveria se destinar esses recursos em época de crise — aumento de arrecadação ou redução de custos —, fica mais do que evidente que a atuação do Legislativo como mecenas neste contexto não é o certo, responsável, coerente e de bom senso.

É como alguém, totalmente endividado, tomar empréstimo para ajudar terceiro também em situação ruim e para fins que não aliviarão a crise do outro, o que é pior. Ou seja, ambos continuarão em situação periclitante, sobretudo o que tomou o empréstimo. Esse é o raio X dessa distorção que estão fazendo com o projeto do empréstimo junto à Caixa.

Se a AL se recusa a fazer essa reflexão, pelo menos é necessário que a sociedade o faça.

CT, Palmas, 23 de agosto de 2017.

Com Eduardo presente em festa, Amastha adia convite para Walter Jr

CLEBER TOLEDO 22 de Aug de 2017 - 14h17
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Foto: Secom Palmas/Divulgação
A presença do deputado estadual Eduardo Siqueira Campos (DEM) impediu que o prefeito de Palmas, Carlos Amastha (PSB), convidasse o ex-vereador e ex-candidato a prefeito de Gurupi Walter Júnior (sem partido) a se filiar ao PSB. Pelo menos é o que justificam os aliados de Amastha para o fato de o presidente regional do partido ter ido a Gurupi com este propósito e ter voltado de lá sem formalizar o convite.

“Amastha não se sentiu confortável em fazer o convite com o Eduardo lá e preferiu deixar para outra oportunidade”, contou uma pessoa próxima ao prefeito de Palmas.

Amastha e Eduardo estavam na festa de aniversário da irmã de Walter Júnior, no sábado, 19. O ex-vereador foi de mesa em mesa com o prefeito de Palmas para apresentá-lo aos seus convidados.

O problema dos partidos não é o “P"

CLEBER TOLEDO 22 de Aug de 2017 - 10h02
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Foto: Internet
Macron e seu En Marche!, que inspirou a onda de mudança de nomes de partidos no Brasil

Virou moda. Muitos partidos estão mudando de nome. PTN agora se chama Podemos, o Partido Trabalhista do Brasil (PTdoB) adotou o Avante e o PMDB, hoje muito distante daquela legenda que conduziu o Brasil à redemocratização, quer tirar o “P” para dar a aparência de que voltou a ser o MDB velho de guerra, quando era capitaneado pelo saudoso e venerável dr. Ulysses Guimarães. A inspiração, dizem, é o En Marche!, um movimento político lançado pelo recém-eleito presidente da França, Emmanuel Macron. Contudo, no caso brasileiro, não se trata de um novo movimento que dê perspectiva de melhoras ao País, que acenda a luz lá no fim do túnel. Trata-se de mais do mesmo.

O fim da ideologia levou a política a um pragmatismo que corrompeu todos os valores que ela exige para que sua prática favoreça a cidadania. Hoje existem apenas rótulos de "esquerda" e "direita", e, com conceitos totalmente superficiais e distorcidos em mentes, seus adeptos digladiam irracional e selvagemente nas redes sociais. Sem os princípios que a nortearam no passado, a vida pública se transformou nisso que estamos assistimos: mero carreirismo, com oportunidades de negócios altamente lucrativos que não são possíveis em qualquer outro setor — nem nos lícitos, nem nos ilícitos. Dessa forma, o que passa a atrair líderes para a política não é mais a perspectiva de um país melhor, mas a possibilidade de enriquecimento rápido e fácil.

A consequência mais direta foi o total enfraquecimento dos partidos políticos, num país que nunca teve tradição de possuir legendas fortes. Filiação partidária no Brasil, hoje mais do que nunca, é tão somente mera veste burocrática para dar condições de elegibilidade. Comandar um partido é comandar um negócio, como um estabelecimento comercial qualquer, em que se precisa de recursos humanos (agentes públicos ou candidatos a serem) e clientes (eleitores).

Vemos liberais filiados em partidos socialistas, porque nunca se lembram o que significa o “S" da sigla a que pertencem e/ou jamais leram o estatuto da sigla. Na verdade, hoje isso pouco importa. A lembrança de que são socialistas só vêm, se muito, em eventos partidários. Porém, o termo é totalmente esvaziado de sentido, porque seus filiados não acreditam em socialismo. Muitos são capitalistas bem-sucedidos e só usam a legenda como via de acesso ao poder.

De outro lado estão filiados a partidos liberais porque acreditam no malfadado capitalismo de Estado. Assim, querem construir poder para, com ele, negociar benesses a suas empresas para ganhos fartos e fáceis do erário. Ainda existem os que ingressam nessas legendas para se aproximarem de núcleos de poder econômico e político e, dessa forma, ascenderem profissionalmente.

Mudar o nome do partido político não ataca o problema central dele: falta de idoneidade e coerência ideológica. Na verdade, essa alteração na sigla trata-se de mais um golpe de marketing contra a sociedade, uma solução rasa e indecente, que parte de uma constatação óbvia: o cidadão brasileiro acredita cada vez menos em siglas. Então, a solução é se livrar da palavra “partido" e tudo está resolvido. Um passe de mágica.

A questão é muito mais profunda. A classe política, pelo menos a parcela que tem compromisso de verdade com País — ela existe, ainda que exceção —, precisa fazer essa reconexão com eleitorado para que a representação popular deixe de ser praça por onde desfilam todos os tipos desqualificados que tornam a vida pública cada vez mais distante daqueles que dela deveriam se beneficiar. O resultado mais imediato e maléfico disso é que pessoas de bem não querem ser rotuladas de “políticas” — daí o sucesso hoje daqueles que se dizem “apolíticos" — e, assim, a vida pública não se renova e vive um círculo vicioso pelo qual giram aqueles que não estão à altura de representar a sociedade.

A política é a forma civilizada para se resolver as demandas sociais. Ela substitui a guerra, a solução brutal para busca dessas reivindicações, e, como consequência, valoriza a vida humana e promove o desenvolvimento social, cultural e econômico. Contudo, para isso, no caso do Brasil, a política precisa readquirir a respeitabilidade que teve no passado e que hoje não consegue mais diante daqueles que a legitimam, os cidadãos. A continuidade dessa deterioração será a barbárie.

CT, Palmas, 22 de agosto de 2017.

Pedido de clemência ao PMDB

CLEBER TOLEDO 20 de Aug de 2017 - 18h25
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Foto: Divulgação
Com Dilma, Kátia foi a Salvador no sábado, pedir apoio de Lula para decidir seu futuro partidário, após afastamento do PMDB

Não precisou esperar muito para que ficassem claras as intenções da senadora Kátia Abreu com seu aceno ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT. Seus porta-vozes no Estado já esclareceram: trata-se de um pedido de clemência ao PMDB, que já colocou as malas da senadora tocantinense na porta, com a decisão da Comissão de Ética de afastá-la. Para Kátia ser colocada em definitivo para fora da legenda, só falta um gesto do presidente, senador Romero Jucá (RR), ou da executiva nacional, o que deve ocorrer nos próximos dias.

Pelo que revelaram os porta-vozes oficiais de Kátia no Estado, a senadora avalia que, com o apoio de Lula à sua pré-candidatura a governadora, ela constrói um patrimônio político irrecusável ao PMDB nacional. Ou seja, juntaria os dois partidos com maiores tempos e rádio e TV — PT e PMDB — com o PSD, partido agregado da senadora, e pronto. Para completar esta história inverossímil e hilariante, afirmam que o PMDB e o PT nacionais estão conversando para estarem juntos em 2018. Aí, concluem, por que a executiva nacional expulsaria Kátia? Só para satisfazer os peemedebistas do Tocantins?

Assim, esqueça-se tudo o que a senadora e o PT fizeram contra o PMDB nacional e o governo Temer, e todos serão felizes para sempre. Essa tese é tão obtusa que só a defende mesmo quem está à beira do desespero, a alguns passos do cadafalso, implorando por clemência.

Que a senadora quer juntar PT, o agregado PSD e seu novo futuro partido não é novidade. A coluna já tinha antecipado isso na sexta-feira, 18. Agora, permanecer no PMDB, para ela, é simplesmente impossível. Não adianta, depois de tudo que foi dito e feito, se ajoelhar, rastejar ou mesmo chorar. Kátia já está fora, inclusive, a pedido do Palácio do Planalto.

Ora, como Jucá, Michel Temer, Geddel Vieira Lima, Moreira Franco e outros líderes nacionais do PMDB vão esquecer todos os desaforos, os votos contra o governo e os discursos e postagens nas redes sociais para humilhá-los em público? Ou a senadora vai agora dizer que não se referiu a eles como "a turma da tornozeleira"? No Twitter, disparou contra o presidente nacional do PMDB: "Vai pedir nossa expulsão por falar a verdade? Ou por que não consegue explicar as malas de dinheiro?" Será que mais uma vez Kátia vai culpar sua assessoria por essas e outras postagens?

Os principais nomes da cúpula peemedebista vão perdoá-la só para eleger uma governadora que já mostrou que não tem qualquer compromisso com o partido? E o PT, com seus ataques frontais ao presidente e seu governo? Se o PMDB se unisse aos petistas apenas aumentaria o já programado desastre das duas legendas no ano que vem.

PT e PMDB estão se juntando, sim, mas também com PSDB, contudo, não para as eleições de 2018. O que querem é soterrar a Operação Lava Jato, que coloca todos eles no mesmo lamaçal em que está claro que sempre chafurdaram. As disputas do ano que vem são outra história. Independente de qual configuração, o certo é que PMDB e PSDB estarão no lado oposto ao PT, sem a menor possibilidade de união com Lula ou qualquer outro líder apoiado por ele, caso não possa disputar, por questões jurídicas.

Ao implorar em Salvador (BA) pelo socorro de Lula, Kátia reproduz na política nacional o que já fez várias vezes na regional: renegar tudo o que disse e os apoios do passado quando o interesse pessoal assim exige. Foi dessa forma quando deixou Siqueira Campos (sem partido) por Marcelo Miranda (PMDB) em 2005, quando voltou para Siqueira em 2009 e quando se aliou a Marcelo de novo em 2013. Agora em 2017, rejeitada pelos dois, tenta carona na popularidade do prefeito de Palmas e pré-candidato a governador, Carlos Amastha (PSB) — que, diga-se, pode ganhar tempo de TV com essa aliança, mas perde o discurso do novo e cai na vala comum que insiste negar pertencer.

Antes que tentem desmentir a obviedade do vai-e-vem da senadora tocantinense, seguem ao final desta coluna algumas das coisas que Kátia já pensou sobre Lula e o PT no passado e, claro, que hoje deve negar ou, de novo, culpar a assessoria.

CT, Palmas, 21 de agosto de 2017.

Kátia Abreu discute futuro partidário com Lula e cúpula petista em Salvador

CLEBER TOLEDO 19 de Aug de 2017 - 20h48
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Foto: Divulgação
A coluna “Painel”, do jornal Folha de S.Paulo, informou que a ex-presidente Dilma Rousseff foi a Salvador neste sábado, 19, acompanhada da senadora tocantinense Kátia Abreu. Segundo o jornal, as duas se reuniriam com o ex-presidente Lula, que está em caravana pelo Nordeste.

Kátia, conforme a Folha, discutiria seu futuro político com os petistas durante um encontro na casa do governador da Bahia, Rui Costa.

A Comissão de Ética do PMDB nacional decidiu esta semana pelo afastamento da senadora do quadro do partido. A expulsão definitiva de Kátia deve ser ratificada pelo executiva nacional nos próximos dias.

Redação: Palmas, Tocantins, Brasil, +55 (63) 9 9219.5340, +55 (63) 9 9216.9026, [email protected]
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