PT do Tocantins tenta se refazer em sua eleição mais disputada

Foto: Montagem CT
Zé Roberto, com candidatura à esquerda, e Domingo Santos representando o grupo dominante do PT

O diretório regional do Partido dos Trabalhadores (PT) realizará em seu congresso estadual, nos dias 6 e 7 de maio, a eleição mais disputada de sua história. A legenda, na maioria das vezes, conseguiu levar suas disputas internas, por mais acirradas que fossem, entre quatro paredes, mas parece que desta vez o barulho da gritaria é tanto que já começa a vazar, sair dos ambientes de debates e tomar as ruas. Os dois lados fazem as mais ferrenhas críticas e até virais nas redes sociais surgiram. A situação confirma o velho dito popular: “casa em que falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão”.

A própria configuração das chapas retrata a divisão interna: de um lado, o grupo que sempre comandou o PT do Estado, com três dos mais altos dirigentes dos últimos anos, o atual presidente, Júlio César Brasil; e dois ex-presidentes: o suplente de senador Donizeti Nogueira e o ex-prefeito de Colinas José Santana. No outro front, o grupo mais à esquerda e o deputado estadual Paulo Mourão, um liberal da mais alta extirpe perdido entre socialistas e que sempre se sentiu prejudicado pelo grupo que comanda a sigla no Tocantins.

Sobre os petistas hegemônicos, encabeçado pelo jovem Domingos Santos, pesa o fato de ter sido sob a gestão deles que o partido submergiu à sua maior crise. Claro que a legenda tocantinense foi atingida pelos tsunamis do Mensalão e da Lava Jato. Mas também faltou habilidade na condução do partido no Estado em vários momentos estratégicos. Por exemplo, em 2006, quando o partido impôs, digamos, excesso de condições, empinou a carroça e não embarcou na candidatura à reeleição do governador Marcelo Miranda (PMDB) contra o ex-governador Siqueira Campos (sem partido). Na época, a legenda acabou — até pelo “tratoraço” que veio de Brasília — por apoiar a aventura eleitoral do então senador Leomar Quintanilha de disputar o governo do Tocantins pelo PCdoB.

Depois veio o episódio da disputa com o ex-prefeito de Palmas Raul Filho e com a deputada estadual Solange Duailibe, que teve boicotada sua intenção de disputar o Senado pela chapa do então candidato à reeleição ao governo do Estado, Carlos Gaguim (PTN), em 2010. Mourão se uniu a Donizeti, presidente petista da época, e o hoje deputado estadual ficou com a vaga de senador na campanha de Gaguim.

Em seguida outro enfrentamento do grupo de Donizeti com Raul, quando Solange disputou a eleição de presidente da Assembleia, em 2011, contra o governo de Siqueira Campos, representado pelo falecido deputado Raimundo Moreira. O PT decidiu por algo inimaginável até então: se uniu ao siqueirismo contra a candidatura do próprio partido. Então começou o processo de expulsão de Raul e Solange, que acabou sendo revertido. Mas o casal deixou a sigla e hoje está no PR. Junto com os dois dezenas de líderes deixaram a legenda, que desde essa época só vem definhando até o ridículo resultado de 2016, quando elegeu prefeito em apenas duas prefeituras insignificantes para o cenário político estadual, depois de ter governado algumas das principais cidades do Estado, como Palmas, Porto Nacional, Dianópolis, Colinas e Guaraí.

No entanto, o grupo dos atuais dirigentes defende que tem mais flexibilidade de diálogo e entende a necessidade da força das alianças para alcançar os objetivos eleitorais. Já o grupo mais à esquerda, encabeçado pelo deputado estadual José Roberto, é acusado pelos adversários de radicalismo, de defender o fechamento para alianças fora do campo da esquerda, como ocorria nos anos 1980 e início de 1990.

No entanto, não é bem isso, avaliam representantes do deputado. Segundo eles, o grupo quer o que Zé Roberto tem colocado como uma “reconciliação com a classe trabalhadora”. Conforme aliados do parlamentar, o “outro lado” é composto pelos campos partidários que levaram o PT ao seu declínio moral, esquecendo-se dos compromissos éticos e históricos que o conduziram à Presidência da República em 2002.

Em meio aos debates surgem as mais bravas acusações. A campanha de Domingos diz que aliados de Zé Roberto soltaram um viral que afirmava que a esposa dele apoiaria o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) para a Presidência, o que é mais do que uma inverdade, totalmente absurdo. Já o grupo do deputado acusa os oponentes de “negociadores do partido” e de terem sido sempre “centralizadores" no comando do PT.

Apesar diferenças dos dois lados, uma coisa eles têm em comum. Ambos defendem a reconstrução do partido, o que as próprias divergências que estão manifestas neste processo mostram que é mais do que necessária.

De toda forma, é preciso que os mais sensatos entrem no circuito para acalmar os ânimos, porque a “panela de pressão” está para explodir. No final de semana, uma fonte petista deu à coluna a temperatura das discussões: “Se continuar como está, vai terminar em agressão física no congresso”.

Como se vê, é um partido que precisa mesmo se reconstruir.

CT, Palmas, 27 de março de 2017.

Como Mourão, Solange quer resultados dos programas de incentivo fiscal do Estado

Foto: Isis Oliveira/Dicom/AL-TO
RESULTADOS DOS INCENTIVOS

Depois do deputado Paulo Mourão (PT), agora é a vez de Solange Duailibe (PR) questionar os resultados que têm dado ao Estado as empresas que desfrutam de benefício fiscal. Para isso ela apresentou requerimento na terça-feira, 21, cobrando do secretário estadual do Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Turismo e Cultura (Seden), Alexandre de Castro e Silva, informações sobre a metodologia de fiscalização das empresas beneficiárias e pede relatório de 2015 e 2016 referentes às atividades e resultados dos programas de isenção.

FORTALECE OU SUFOCA?

Solange lembra que os incentivos fiscais têm a natureza de fortalecer o Estado. “Na verdade, o Estado ganha mais do que oferece, essa é a tônica dos incentivos para todos os governos”, argumentou no requerimento. No entanto, a deputada afirma que o discurso do governo tem sido de que os incentivos fiscais têm “sufocado” os cofres do Estado, argumento do qual diz discordar. “Os benefícios fiscais não provocam constrição de receita, a menos que o Poder Administração não esteja sendo capaz de fiscalizar suas concessões, ou esteja celebrando benefícios tributários sem a exigência de contrapartida, o que seria passível de punição aos responsáveis por crime de improbidade”, defendeu.

SEM ESTRUTURA

A parlamentar afirmou também que a mínima estrutura existente no Conselho de Desenvolvimento Econômico, responsável pela fiscalização das concessões, tem dificultado a ação de inspeção. “O único veículo que o conselho dispõe e que foi adquirido com recursos do Fundo de Desenvolvimento Econômico para operacionalizar as fiscalizações nunca saiu da disposição do gabinete do Secretário de Desenvolvimento Econômico, dificultando os serviços por parte do Conselho”, criticou.

 
ERA PREVISTA

O vereador Tiago Andrino (PSB) disse que a decisão da desembargadora Etelvina Maria Sampaio Felipe, do Tribunal de Justiça (TJTO), que revogou a liminar concedida na ação de vereadores oposicionistas contra a revisão da Planta de Valores de Palmas, “era prevista”. “Pela decisão da desembargadora, pudemos perceber que a oposição realmente utilizou litigância de má fé. Isso mostra como agem aqueles que estão defendendo não o povo, mas os seus próprios interesses”, afirmou. Andrino já havia antecipado a provável decisão na terça, 21, quando usou a sua fala na sessão para apresentar os dados referente ao processo, trazendo à tona o conflito entre a data de publicação da Lei Ordinária (1º de março) e a entrada do processo (15 de março).

PARCERIA JAPÃO-PALMAS

O presidente da Câmara de Palmas, José do Lago Folha Filho (PSD), destacou a credibilidade internacional da Capital, na manhã desta sexta-feira, 24, na recepção organizada pelo prefeito Carlos Amastha (PSB) ao embaixador do Japão no Brasil, Satoru Satoh. “Palmas hoje é conhecida internacionalmente e tem capacidade de firmar parcerias que possam refletir em benefícios diretos para a população. Esse encontro aproxima a gestão de um país que possui condições de contribuir muito com o nosso desenvolvimento”, discursou.

Foto: Regiane Rocha/Secom Palmas
PARCERIAS PROFÍCUAS - O prefeito de Palmas, Carlos Amastha, frisou a importância do Japão e a abertura da Capital para parcerias profícuas. “O Japão é um exemplo de superação e de um país em pleno desenvolvimento e que cuida bem de seus habitantes”, destacou. Em sua primeira visita a Palmas, Satoru Satoh destacou a beleza da Capital , afirmou que os cerca de 7 mil japoneses que residem aqui desfrutam da hospitalidade do povo palmense e ressaltou: “O Japão está disposto a colaborar com o Tocantins e com Palmas em todos os aspectos”. Nessa quinta-feira, 23, ele foi recebido pelo governador Marcelo Miranda (PMDB).

MUTIRÃO CONTRA A DENGUE
 
Lagoa da Confusão, no sudeste, amanheceu unida contra o mosquito Aeds aegypti, num mutirão para evitar a dengue, zika e chikungunya. O prefeito Nelsinho Moreira (PRB) afirmou que evitar novos casos destas doenças é um dever de todos. “Como poder público procuramos fazer a nossa parte e contamos com toda a população para evitarmos novos casos de doenças provocadas por este mosquito. Temos que nos unirmos”, disse Nelsinho.

TERROR NOS CORREIOS

Unidades dos Correios no Tocantins sofreram três ataques somente nesta semana. Como sempre, os bandidos invadem e levam todo o dinheiro, deixando a unidade temporariamente inoperante até que os peritos da policia terminem os levantamentos do sinistro. Na quarta-feira, 22, o ataque foi contra a agência de Cachoeirinha, na quinta, 23, contra Piraquê e nesta sexta, 24, teve como alvo Araguatins. No ano já são 14 ocorrências no Estado, fazendo imperar o medo e o terror dos trabalhadores dos Correios. Pior, avisa o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios (Sintect): não se vê nenhuma medida por parte do poder publico e nem por parte da empresa.

Três senadores de olho no Palácio Araguaia

Foto: Montagem CT
Ataídes, Vicentinho e Kátia Abreu: senadores têm virtudes, mas também algumas limitações

As movimentações rumo a 2018 têm algumas peculiaridades interessantes, que não se viu naquelas que antecederam as últimas eleições estaduais. Entre elas, o fato de, desta vez, os três senadores, efetivamente, trabalharem para viabilizar suas candidaturas a governador no ano que vem. Ataídes Oliveira (PSDB), Vicentinho Alves (PR) e Kátia Abreu (PMDB) possuem atributos que legitimam seus projetos, mas algumas limitações pessoais poderão atrapalhar, além do próprio cenário pré-eleitoral.

Novato na política, Ataídes estreou por cima ao tomar posse da cadeira que pertencia ao senador João Ribeiro, falecido em dezembro de 2013 e do qual era o primeiro suplente. Sua atuação surpreendeu. Conseguiu bastante trânsito entre os líderes tucanos nacionais, conquistou a confiança e o respeito deles e esteve nos holofotes de alguns dos principais temas nacionais discutidos nos últimos anos, com destaque em importantíssimas comissões, em número extremamente significativo e em pouquíssimo tempo.

Foi presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Carf, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais alvo da Operação Zelotes, da Polícia Federal. A comissão tinha o objetivo de investigar um esquema de fraudes no órgão ligado ao Ministério da Fazenda responsável por julgar recursos de autuações fiscais. Esteve ainda na comissão de impeachment da ex-presidente Dilmar Rousseff (PT). Com a ascensão do presidente Michel Temer, sua influência junto ao Palácio do Planalto se tornou muito grande. Sugeriu a Comissão Especial das Obras Inacabadas a Temer, que gostou da proposta. Ataídes virou presidente dela. Por fim, foi designado relator da comissão mista da medida provisória que permite os saques de contas inativas do FGTS e que garante recursos extras, em plena crise, a milhões de trabalhadores e injeta bilhões de reais na economia do País.

Como se vê, só temas do mais alto interesse nacional, e tudo isso ocorreu apenas nos últimos dois anos. Todavia, se tem um trânsito muito forte em Brasília, Ataídes não conseguiu o mesmo desempenho na política provinciana do Tocantins, na qual prevalecem nas relações os joguetes que o senador tanto tem criticado no plano nacional, mas que, para ser bem-sucedido, aqui no cerrado, sua prática se torna, lamentavelmente, imprescindível.

Por trás dessa sua ojeriza a essa forma de política está o fraco desempenho eleitoral que obteve ao disputar o governo do Tocantins em 2014, com apenas 24.874 votos contra 360.640 para Marcelo Miranda (PMDB) e 314.392 para Sandoval Cardoso (SD). Sem essa articulação afinada com os políticos do Estado, Ataídes corre o risco de repetir esse resultado em 2018. Assim, o senador, que já garantiu que vai para a disputa em 2018, independente do contexto de disputa da pré-campanha, precisará engolir o estilo próprio dos políticos locais para ampliar sua representação nos municípios, se quiser chegar ao Palácio.

Kátia Abreu é de longe a política mais bem-sucedida do Tocantins. Como mulher, se destacou num meio com hegemonia masculina, o agronegócios. Foi a primeira a presidir um sindicato rural, uma federação da agricultura e a poderosíssima Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Chegou onde nenhum outro líder tocantinense esteve, num ministério, o da Agricultura e Pecuária. Contudo, para isso, teve que virar as costas para seu principal cabo eleitoral, o produtor rural, o maior adversário do petismo e o segmento que mais se engajou no impeachment, contra o qual Kátia se colocou duramente, a ponto de ter se tornado a principal articuladora para tentar derrubar o processo no Senado. Foi da senadora tocantinense que partiu, por exemplo, a sugestão de dividir as penalidades previstas para Dilma com o afastamento. Assim, a ex-presidente perdeu a Presidência, mas não ficou impedida de assumir cargos públicos ou mesmo se candidatar em 2018, numa “interpretação criativa” da Constituição, altamente criticada por importantes juristas.

Assim, a perda de grande parte desses importantes cabos eleitorais é o primeiro ponto que pesa contra a senadora na corrida por 2018. O outro é seu estilo pessoal, agressivo e impositivo, que a levou a criar inimigos por todo o Estado e País afora na mesma velocidade que sua carreira avançou nos últimos anos. Com seu jeito “trator”, a parlamentar cristalizou um desgaste monumental junto a significativa parte do eleitorado. Por isso, se conseguiu atingir o Olimpo no plano nacional, Kátia tem dificuldades hoje de voltar ao Estado e conquistar líderes para o seu projeto de governadora e a simpatia da população.

Contudo, ela é inegavelmente muito competente e dinâmica. A senadora ampliou e intensificou sua presença no Tocantins nas últimas semanas, depois de anos afastado dele, aparecendo por aqui pontualmente e em períodos eletorais. Tem prometido recursos — como os R$ 10 milhões para consórcios de municípios. Poderá usar em parte suas emendas, mas o restante precisará da boa vontade do governo Temer, que não a vê com nenhuma simpatia. Parece que a senadora aposta na fragilidade que o PMDB nacional vive hoje, envolto com a Lava Jato até o pescoço, para que tenha seus pedidos atendidos pelo Palácio do Planalto.

Outra dificuldade de Kátia é em relação ao PMDB do Tocantins, que, como a coluna já destacou, ainda acredita que pode viabilizar a reeleição de Marcelo. O clima está insustentável para ela e, se prevalecer o que disse o presidente nacional da legenda, senador Romero Jucá (RR), no encontro estadual do dia 17, quem decidirá o candidato no Estado, desta vez, serão os líderes e a militância, garantindo que a intervenção de 2014 não vai se repetir. Se o que grande protagonista da Lava Jato disse for mantido, a senadora tocantinense precisará buscar outro partido se quiser mesmo ser candidata.

Ao contrário de seus dois colegas, Vicentinho Alves é um político pacífico, tranquilo, cauteloso e de trânsito fácil por todas as correntes políticas do Estado. Inclusive, foi o motivo que fez com que os colegas da bancada federal o preferissem para coordenar a bancada federal este ano, quando a missão cabe a um senador. Essa virtude de sua personalidade e a consequente excelente relação que mantém com prefeitos e vereadores por todo o Estado, aliado à aproximação com o governador Marcelo Miranda, dá a ele condições de viabilizar seu projeto de 2018.

Contudo, tem duas questões em seu caminho. A primeira é a hoje a própria boa relação com o atual inquilino do Palácio Araguaia, o que é positivo para o Estado. Mas, se Marcelo recuperar a imagem de seu governo, deve ir à reeleição. A Vicentinho, então, restará disputar novo mandato no Senado ou fazer voo solo para o governo do Tocantins.

Outra pedra no caminho é o estilo do senador, que nas últimas pré-campanhas não se mostrou um político de chegada, no que diz respeito à eleição de governador. Em 2013, Vicentinho chegou a colocar o nome na disputa de 2014, mas foi um voo de galinha. Rapidamente não se falou mais nisso. Assim, mesmo com os atributos que possui, terá que convencer a liderança do Estado que, desta vez, é pra valer.

Caso Miracema
Sábia e justa decisão da Corregedoria do Ministério Público e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que absolveram o promotor Vilmar Ferreira de Oliveira, titular da 3ª Promotoria de Justiça de Miracema, em relação às denúncias de suposto abuso de poder na polêmica desocupação do Centro de Ensino Médio Dona Filomena, invadido em outubro de 2016. Os dois órgãos decidiram pelo arquivamento do caso.

O Estado não pode incentivar invasão de escola, nem admiti-la. É antidemocrática e prejudica a vida dos jovens. Não é com invasões que vamos resolver os problemas deste País.

CT, Palmas, 24 de março de 2017.

A "PEC Amastha”: um tiro que pode sair pela culatra

Foto: Câmara Notícias
Deputado Hildo Rocha: ideia do parlamentar maranhense acerta em cheio a política tocantinense

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do deputado federal Hildo Rocha (PMDB-MA) para garantir exclusividade a nativos nos cargos de senador, governador, vice-governador e o de ministro das Relações Exteriores pode ser sedutora para a oposição ao prefeito de Palmas, Carlos Amastha (PSB), colombiano naturalizado brasileiro. Contudo, é bom ir devagar com o andor e pensar muito bem antes de embarcar nesta nova canoa. Afinal, ela também pode estar furada.

Há algumas semanas, a coluna trouxe que alguns pensantes da velha política não estavam gostando nenhum pouco dessa história de juntar todo mundo contra Amastha, porque era tudo que o prefeito de Palmas e pré-candidato a governador quer, já que reforça o discurso do "novo" que ele vem fazendo desde 2012. Essas fontes defenderam que, ao invés disso, os “tradicionais” deveriam encontrar um discurso eficiente, que funcionasse como uma vacina anti-Amastha.

Parece que, ao invés de uma vacina, encontraram foi um narcótico, que injetado deixa todo mundo muito doido e com ideias estapafúrdias. Ninguém da bancada federal assume a já apelidada de “PEC Amastha”, em referência à proposta do deputado maranhense, assim não se pode dizer — pelo menos taxativamente — se há algum parlamentar do Tocantins envolvido nessa iniciativa. De toda forma, como a oposição avalia que sairia ganhando com a aprovação desta medida, é importante fazer algumas reflexões.

Primeiramente cheira a xenofobia, num momento em que o mundo vive talvez a sua maior crise migratória, com políticas de perseguição em importantes países, como os Estados Unidos. Assim, aprovar uma PEC que atinge estrangeiros neste momento soa, no mínimo, antipático. Como Palmas é a única capital do País com um não nativo no comando, com certeza, esse fato será um prato cheio para a mídia nacional.

Com a imprensa na história, o tiro pode sair pela culatra. Nunca antes na história deste País, na era das redes sociais, o Parlamento foi tão volúvel à pressão popular — ainda bem! No passado recente houve político que dizia estar se lixando para a opinião pública. Hoje já é quase impossível ignorá-la. Ou seja, com Amastha sendo colocado na mídia como alvo de uma PEC, que poderá, tranquilamente, ser vista como patrocinada por opositores do prefeito, ele só crescerá, e exponencialmente. Dessa forma, será apresentado como vítima, conquistará a opinião pública e essa proposta será arquivada rapidinho.

Acontecendo isso, Amastha se tornará ainda mais forte internamente e a oposição terá contribuído para a divulgação do nome dele em todo o País, o que significa ficar ainda mais “popstar” — do jeito que ele gosta — no Tocantins.

Quem tiver dúvidas disso é só analisar as primeiras repercussões desta ideia nas redes sociais, logo após a publicação da matéria exclusiva do CT. A primeira constatação: mais de 95% das centenas de comentários foram solidários ao prefeito. Daí vem a segunda: os comentaristas não têm dúvida de que a ideia partiu da bancada do Tocantins (não estou dizendo que foi, mas como a proposta foi recebida pela opinião pública).

Assim, a “PEC Amastha” é fadada ao sepultamento. Mas digamos que ela fosse aprovada neste contexto de total impopularidade. O prefeito se tornaria o melhor cabo eleitoral nas eleições do ano que vem. Poderia, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez, ser decisivo para eleger qualquer “poste" em que tocasse a mão.

Resumo da ópera: se houve nesta PEC dedo de algum tocantinense interessado na derrota de Amastha no ano que vem, do ponto de vista da intenção, ela pode ter sido até boa. Mas como diz o dito popular: de intenção o inferno está cheio.

CT, Palmas, 23 de março de 2017.

Serraglio diz em nota que resistência de Kátia em nomear fiscal foi pelo impeachment de Dilma

Foto: ABr
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Osmar Serraglio, rebateu em nota as declarações da senadora Kátia Abreu (PMDB) sobre as pressões que ele teria feito contra ela para manter na Superintendência do Ministério da Agricultura do Paraná o fiscal agropecuário Daniel Gonçalves Filho, preso na sexta-feira, 17, na Operação Carne Fraca. Serraglio afirmou que não foi para seguir orientação da Consultoria Jurídica que Kátia resistiu à nomeação do fiscal apontado agora como chefe da quadrilha que emitia certificados sanitários sem fiscalização em troca de propina.

"Sobre a resistência em nomear, deu-se por haver divergências políticas entre ela [Kátia] e a maioria da bancada [do PMDB do Paraná], que era a favor do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff”, afirmou o ministro na nota.

Ele ainda ressaltou na nota que a senadora Kátia Abreu reconheceu nessa terça em seu discurso "que só manteria o superintendente regional no cargo se fosse apoiado por senadores do PMDB". "No caso, para o Paraná, ela exigiu a concordância do senador Roberto Requião, o que de fato ocorreu, como ela própria confessou. Assim, Daniel foi ratificado”, disse Serraglio.

Conforme relatou o jornalista Josias de Souza no final de semana, o hoje ministro tentou impedir que Daniel Gonçalves fosse afastado do comando da superintendência do Ministério da Agricultura no Paraná. Ele contou que Kátia recebeu o então deputado federal em seu gabinete no ano passado, antes do impeachment da ex-presidente petista, acompanhado do deputado Sérgio Souza (PMDB-PR), outro aliado político do fiscal da Carne Fraca.

A então ministra de Dilma Rousseff informou que recebera da Consultoria Jurídica do Ministério da Agricultura uma recomendação para suspender Daniel Gonçalves do posto de autoridade máxima da pasta no Estado do Paraná, explicando que o afastamento ocorreria como resultado de um Processo Disciplinar Administrativo.

A versão de Josias foi confirmada por Kátia.

"E eu nunca vi, em todo o período em que lá estive, e nunca tive notícias de uma pressão tão forte para não tirar esse bandido de lá. E eu tenho que ser sincera, porque são dois deputados do meu partido. Mas insistiram para que a lei não fosse cumprida ao ponto de eu ter que ligar para a presidente Dilma e dizer-lhe da minha decisão de demitir e que as consequências políticas eu ia arcar”, disse Kátia em discurso na tarde dessa terça-feira, 21, no Senado.

O ministro ainda afirmou que "a nomeação do superintendente, sempre que um assunto envolvendo Daniel Gonçalves Filho precisou ser tratado no governo, foi feito em nome da bancada, nunca de forma individualizada”.

Serraglio foi flagrado em grampo da Operação Carne Fraca em conversa Daniel Gonçalves Filho. No diálogo, o hoje ministro da Justiça se refere ao comandante do esquema como “o grande chefe”.

Magoa do impeachment
Ao site O Antagonista, o deputado Sérgio Souza também afirmou que a acusação de Kátia é resultado da mágoa que, de acordo com ele, a tocantinense tem de sua posição favorável ao impeachment de Dilma Rousseff (PT). "O que a ministra Kátia está falando é sem nenhum fundamento. Ela tem uma profunda mágoa por conta da minha posição em relação ao impeachment. Acredito que seja isso", afirmou.

Confira a seguir a íntegra da nota de Serraglio:

"O ministro da Justiça e Segurança Pública, Osmar Serraglio, reitera que a indicação do cargo de responsável pelo Ministério da Agricultura no Paraná passou pelo partido. O nome de Daniel Gonçalves Filho, em 2007, surgiu do então deputado Moacir Micheletto e foi chancelado pela bancada do PMDB do Paraná e lá permaneceu nos governos Lula e Dilma.

A senadora Kátia Abreu, então ministra da Agricultura na época, reconheceu hoje em seu discurso que só manteria o superintendente regional no cargo se fosse apoiado por senadores do PMDB. No caso, para o Paraná, ela exigiu a concordância do senador Roberto Requião, o que de fato ocorreu, como ela própria confessou. Assim, Daniel foi ratificado.

Sobre a resistência em nomear, deu-se por haver divergências políticas entre ela e a maioria da bancada, que era a favor do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff.

Cabe lembrar que desde a nomeação do superintendente, sempre que um assunto envolvendo Daniel Gonçalves Filho precisou ser tratado no governo, foi feito em nome da bancada, nunca de forma individualizada. Serraglio destaca ainda que há mais de um ano Daniel Gonçalves Filho não ocupa o cargo na Superintendência Regional do Mapa no Paraná."
Anterior 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Próximo 
Cleber Toledo

É jornalista desde 1992, com passagens por jornais em Paraná, São Paulo e Tocantins. Fundador do site Cleber Toledo.
ct@clebertoledo.com.br
(Foto CT: Ademir dos Anjos)

Publicidade