Elenil chama Dimas de “meu senador” durante inauguração de creche em Araguaína

O deputado estadual Elenil da Penha (PMDB) chamou o prefeito de Araguaína, Ronaldo Dimas (PR), de “meu senador” na segunda-feira, 24, durante discurso que fez na inauguração da creche José Xavier.

Para o parlamentar, Dimas é "um grande nome" para o Senado. “Porque representa Araguaína e o Bico do Papagaio, é um nome estadual e tem muita experiência como presidente da Fieto, deputado federal e duas vezes prefeito”, justificou.

Ao blog, Elenil ainda disse que está a campo para viabilizar a candidatura do prefeito. “Vamos falar dele por todos os cantos, porque acredito que é um nome importante para o Tocantins”, defendeu o deputado.

O caso de Eduardo Siqueira, as delações e o papel da mídia

Foto: Dicom AL/Divulgação
Deputado Eduardo Siqueira Campos, que foi citado em matéria do Jornal Nacional

O caso do deputado estadual Eduardo Siqueira Campos (DEM) revelou todo o açodamento da mídia na divulgação das delações da Operação Lava Jato. Não se trata aqui de absolver, mas também não se pode condenar ninguém. Primeiro porque é a palavra de um acusado de graves crimes e que busca diminuir sua pena convencendo os procuradores de que as informações que possui são importantes. Depois, os vazamentos de delações, que é a forma pela qual os depoimentos e documentos chegam à imprensa, podem estar “contaminados" por interesses diversos.

O principal telejornalístico da Globo, o Jornal Nacional, diz que documentos entregues pelo delator Benedito Júnior, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, associariam o codinome “Acelerado" a Eduardo. Esse material não foi apresentado pelo programa. Já outro delator, Rogério Santos de Araújo, também ex-executivo da empresa, garante que o apelido se refere ao ex-gerente da área internacional da Petrobrás Aluísio Teles. Não falou do deputado tocantinense. Como fica? O tal “Acelerado" levou US$ 24,750 milhões em 2011 e 2012 e, segundo o telejornal, foi a maior fatia entre os todos os beneficiados em transações que envolvem US$ 65 milhões.

É muito estranho. Inicialmente, porque o fim dessa propina seria beneficiar PT e PMDB em contrapartida a fechamento de contratos com a Petrobrás. Então já aparece a primeira incongruência. Entre 2011 e 2012, Eduardo Siqueira era membro do governo Siqueira Campos (sem partido) e não detinha mandato eletivo. Então, devemos questionar o motivo de se pagar propina a alguém que não tem mandato no Congresso Nacional, requisito básico para se conseguir influência a ponto de interferir em contratos da Petrobras.

Além disso, propina que se destinaria a PT e PMDB seria paga a alguém que nem filiado aos dois partidos era? Mais: que sempre atuou como adversário regional das duas legendas? Ainda: a maior fatia entre todos os beneficiados?

Reforço: não se trata aqui de absolver, mas nem tampouco de condenar Eduardo Siqueira, que foi candidato a deputado estadual em 2014 e é citado como o “Canário" pelo ex-diretor superintendente da Odebrecht Ambiental/Saneatins no Tocantins, Mário Amaro da Silveira, também delator na Lava Jato. Segundo esse executivo, a empresa teria aprovado uma contribuição de caixa 2 de R$ 2 milhões para o parlamentar. Eduardo nega e lembra que não foi candidato a governador, cargo que está no contexto do dopoimento de Amaro. Contudo, disputou vaga na Assembleia, e, portanto, precisaria de dinheiro para a campanha. De toda forma, é algo que o deputado terá que discutir no decorrer do processo. Mas, neste caso da propina ao PT e ao PMDB, onde Eduardo entraria? Está, no mínimo, estranho.

Talvez por ter enxergado essas discrepâncias que a Folha de S.Paulo foi mais cuidadosa e preferiu colocar a observação de “não identificado” no codinome “Acelerado”, na matéria que fez sobre o caso no domingo, 23.

A mídia vive de audiência e número de leitores e, para isso, a notícia é a sua “mercadoria”, assunto alvo de ácidas críticas no meio acadêmico. Mas é a verdade, sem pôr nem tirar. Assim, se um depoimento ou documentos caem em suas mãos, os jornalistas vão publicá-los. O que não deveria ocorrer eram justamente os vazamentos, que atendem os interesses dos advogados das partes, políticos adversários e daqueles que querem colocar a opinião pública para pressionar o Judiciário.

Delação nada mais é do que a palavra de um bandido que quer se safar. Ela é simplesmente matéria-prima para uma investigação, que vai confirmar ou não o que foi dito. No entanto, quando chega na sua forma bruta à sociedade, se torna verdade. O citado é julgado e condenado como se a palavra de um marginal de colarinho branco fosse decisão de última instância.

Mas, como os vazamentos ocorrem e Justiça e Ministério Público já demonstraram que não tem condições de contê-los, cabe à própria mídia, por sua responsabilidade social, filtrar e fazer as devidas apurações com muita seriedade.

Exemplo fresco de como os nossos exageros e açodamentos podem destruir uma pessoa, temos o caso da médica Virgínia Soares de Souza, presa após a acusação de ter provocado a morte de sete pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico, em Curitiba (PR). Essa senhora virou memes diversos e grotescos, que circularam por todas as redes sociais. Semana passada ela foi absolvida de todas as acusações e a Justiça alegou falta de provas suficientes que a condenassem. Então, vem a pergunta: mesmo com essa decisão, você se submeteria ou a um filho seu a qualquer procedimento médico com a dra. Virgínia? Uma vida pessoal e profissional destruída.

Políticos andam com a credibilidade muito em baixa diante da opinião pública. Não é à toa que os candidatos antipolíticos são as grandes promessas para 2018. Não se pede para que se goste ou não deste ou daquele homem público. Nem devem ser vistos como vítimas de nada. Ao contrário, tudo o que está ocorrendo com a classe é culpa dela mesma, que ignorou todos os alarmes de insatisfação disparados pela sociedade e não fez a reforma política para moralizar o sistema. Agora a conta chegou. A sociedade tem razão de olhar seus representantes com ojeriza.

Contudo, a mídia não deve se entregar ao linchamento público, à sede de sangue que toma conta dos debates. Se assim o fizer promoverá injustiças e colocará em risco a própria democracia.

Responsabilidade é a palavra da hora.

CT, Palmas, 26 de abril de 2017.

Na Assembleia, quase 21% dos deputados estão de licença; Ivory assume vaga

NA AL, QUASE 21% EM LICENÇA

A Assembleia Legislativa tem cinco deputados afastados neste momento, o que representa 20,8% dos 24 membros da Casa. O último foi Júnior Evangelista (PSC), que deu lugar ao vereador de Palmas Ivory de Lira (PPL), também suplente de deputado e que assume nesta terça-feira, 25. No Legislativo da Capital, o ex-presidente do Sinpol Moisemar Marinho (PDT) ficará no lugar de Ivory.

OUTROS QUE SAÍRAM

Também estão afastados da AL Eduardo Siqueira Campos (DEM), substituído por Solange Duailibe (PR); Eduardo do Dertins, que deu lugar a Stálin Bucar (PPS); Ricardo Ayres (PSB), que assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Prefeitura de Palmas e abriu vaga para Alan Barbiero (PSB); e Vilmar de Oliveira (SD), substituído por Jaime Café (DEM).

DEPUTADOS AFASTADOS E SUBSTITUTOS

1. Eduardo Siqueira Campos - Solange Duailibe
2. Eduardo do Dertins - Stalin Bucar
3. Ricardo Ayres - Alan Barbiero
4. Vilmar de Oliveira - Jaime Café
5. Júnior Evangelista - Ivory de Lira (PPL)



SUPERANDO TRAUMAS

Em seu discurso na solenidade de Tiradentes, no Comando Geral da PM, na sexta-feira, 21, o governador Marcelo Miranda (PMDB) citou o ex-governador Siqueira Campos (sem partido), ao se referir aos líderes que contribuíram com a construção do Tocantins. Parece frugal e até óbvio, mas indica que os traumas que levaram ao rompimento da União do Tocantins em 2005 podem estar começando a ser superados.
Foto: Internet
FEIRA DA 304 SUL
A Prefeitura de Palmas aguarda o fim das chuvas para começar a reforma da tradicional Feira da 304 Sul. Localidade turística da Capital, o prédio construído na gestão do ex-prefeito Raul Filho (PR) - ou seja, até muito recente, e está totalmente danificado. A parte superior já até foi desativada, cadeiras destruídas. Faltou zelo de visitantes, consumidores e feirantes.

OUTRAS FEIRAS

Feiras de Aureny e Arno já começaram a ser reformadas. Palmas tem um total de sete feiras e cerca de 740 feirantes.

MULTIPLICAÇÃO DOS PEIXES

Por falar nisso, o Feirão do Peixe realizado na Feira da 304 Sul nas duas semanas que antecederam a Sexta-Feira Santa faturou R$ 3,040 milhões.

VENDO FANTASTAMAS

Fonte palaciana diz que o prefeito de Palmas, Carlos Amastha (PSB), está tão focado em 2018 que começa a ver fantasmas. Isso porque, no final de semana prolongado, o prefeito e seus aliados fizeram o maior barulho nas redes sociais por conta de nomeação de membros do PSDC no governo Marcelo Miranda (PMDB). Os amasthistas não têm dúvida de que visam colocar o Capitão Edivardes na Câmara de Palmas no lugar do vereador Filipe Fernandes.

IDERVAL NO GOVERNO

De toda forma, o governo Marcelo anda fazendo mexidas de peças estratégicas. Nessa segunda-feira, 25, o ex-deputado estadual Iderval Silva (PMDB) foi nomeado secretário extraordinário de Assuntos Comunitários. Antes dele, o governador já tinha buscado um importante reforço, o ex-presidente da ATM João Emídio, que assumiu semana passada a Secretaria Estadual de Articulação Política.

Índice de remanejamento de recursos é o novo round da luta AL x Palácio

Foto: Isis Oliveira/Dicom AL
Plenário da Assembleia Legislativa do Tocantins, que vive às turras com o Palácio Araguaia

O governo do Tocantins dá os últimos retoques num projeto de lei que pretende enviar para a Assembleia Legislativa nos próximos dias. A proposta revê o índice de remanejamento do Orçamento do Estado, que os deputados engessaram em 5% no final do ano para impedir que o Palácio tivesse flexibilidade na transposição de recursos.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) enviada pelo Executivo previa um índice de 40%. Já em disputa com o Palácio, por conta da insatisfação com o não pagamento das emendas parlamentares, deputados principalmente ligados ao novo presidente, Mauro Carlesse (PHS), decidiram colocar em prática o que tentaram para o orçamento de 2016, mas não conseguiram. Ou seja, reduzir ao mínimo essa margem de remanejamento.

Palacianos avaliam que o objetivo da medida é obrigar o governo a pedir autorização à AL a cada vez que precisar transpor recursos de uma área para outra. Historicamente, sempre o índice de remanejamento ficou em torno de 40%.

No entanto, o Executivo alega que o tiro pode ter atingido os pés dos deputados. Isso porque o remanejamento das emendas parlamentares também ficariam engessadas. Ou seja, se um deputado precisar transferir suas emendas de uma área para outra, por exemplo, só podem fazê-lo até 5% do valor global.

Além disso, o Palácio defende que, por ser uma previsão da LDO, que trata do orçamento de toda a administração pública e não apenas do Executivo, a manobra dos deputados teria engessado todos os Poderes — a própria AL, Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas, Ministério Público e Defensoria. O governo defende que todos eles também só poderiam remanejar até 5% de seus orçamentos.

O Legislativo discorda e defende que esse índice mínimo só se aplicaria ao Executivo. O debate, então, está tomando conta dos bastidores da AL.

Deputados favoráveis ao engessamento o defendem como medida de austeridade, justamente porque obrigaria o governo a pedir autorização ao Legislativo quando precisar de transferir mais recursos que o permitido. Com isso, ponderam, essa transposição seria mais ampla e profundamente debatida. Afirmam ainda que o argumento de que a medida engessou também as emendas dos parlamentares seria mera forma de pressão sobre a AL, porque esse impacto não teria tanta importância assim.

Conforme a coluna apurou, o secretário estadual de Planejamento, Davi Torres, deve definir o novo índice de remanejamento até esta quarta-feira, 26. A estimativa de deputados é de que ele o fixará a algo em torno de 20% a 30%, que os palacianos consideram o mínimo necessário para que o Executivo possa administrar o Estado.

Esta polêmica é mais um round da briga entre Executivo e Legislativo, que ainda envolve o pagamento (ou não pagamento) das emendas parlamentares, o repasse do duodécimo, que está atrasado; e até a procrastinação nos pedidos de empréstimos do Estado.

Uma coisa é certa, nessa disputa de forças, o elo mais fraco, sem dúvida, é o cidadão tocantinense.

CT, Palmas, 25 de abril de 2017.

Narrativa em quatro atos: de Demóstenes Torres à Lava Jato

Foto: Internet
Ex-senador Demóstenes Torres, que também recorreu à narrativa em quatro atos no caso Cachoeira

Nos momentos em que estão sob graves denúncias, os políticos se agarram à mesma narrativa para se defenderem das acusações. Foi o que se viu semana passada e ao longo dos últimos meses nos discursos, entrevistas e notas à imprensa dos principais líderes nacionais que estão sob os holofotes da mídia, ocupando espaços nobres, mas de forma altamente negativa.

A narrativa utilizada por eles nessas situações de total constrangimento — sobretudo porque sua sobrevivência política depende do que a opinião pública pensa a seu respeito — não é algo novo, nem eficiente para lhes garantir a absolvição diante dos eleitores. Porém, para quem está entre a brasa e o espeto, é o único alento. A coluna buscou um exemplo desse discurso do passado para contextualizar com os do presente e mostrar como a estrutura de defesa é repetitiva.

São quatro os atos marcantes dessa narrativa: "A inocência", "O perseguido", "A teoria da conspiração" e, por fim, "A disposição feroz para a luta”.

Ao abrir das cortinas, no primeiro ato, “A Inocência”, os atores garantem que não há qualquer prova de que possam ter cometido os crimes de que são acusados: "A chance de ter me favorecido é zero”, garantiu um calmo e sereno Renan Calheiros (PMDB-AL). Sem qualquer traço de serenidade, como é de seu estilo, a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) também foi à tribuna para garantir que seus delatores mentiram: “Doação que nunca existiu e que nunca recebi”, assegurou.

Carismático, envolvente, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também não tem dúvida de que é completamente inocente: "Eu estou muito tranquilo, porque continuo desafiando qualquer empresário brasileiro a dizer que algum dia o Lula pediu R$ 10 a ele”, provocou. O cacique petista também se coloca no rol daqueles que merecem ser canonizados: “Se tem uma coisa que eu me orgulho, neste País, é que não tem uma viva alma mais honesta do que eu. Nem dentro da Polícia Federal, nem dentro do Ministério Público, nem dentro da igreja católica, nem dentro da igreja evangélica. Pode ter igual, mas eu duvido”.

Em 2012, acusado de negócios escusos com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, que andou fazendo parcerias também por Palmas, o então senador Demóstenes Torres assegurou aos seus pares: "Não sou investigado em nenhum fato, não sou acusado de nada. Até porque não existe do que, não há motivo”. Em outro momento reforçou: "Nunca pedi nada de ilegal a nenhum deles nem a ninguém, só atuei em defesa do desenvolvimento do meu Estado”.

Assim, com a inocência assegurada, a narrativa dos denunciados parte para o segundo ato, “O perseguido”, afinal, se eles não têm culpa no cartório, as acusações que sofrem são fruto de mera intriga da oposição.

Renan, que tentou e tenta colocar freios no Judiciário e no Ministério Público, defendeu: “O perfil político-ideológico imposto pelo Ministério Público Federal nessas apurações tem ficado evidente”. Ou seja, seu envolvimento na Operação Lava Jato é resultado da ideologia dos procuradores, não da materialidade de possíveis crimes, isto é, as transações financeiras. Da tribuna semana passada, o parlamentar continuou sua narrativa: "Presenciamos, portanto, o envenenamento da democracia pelo açodamento em desmoralizar homens públicos de bem, condenados antes mesmo do processo se instaurar, afrontando o poder eleito. Este é o grande engodo das cruzadas moralistas. A generalização deixa marcas em inocentes e os abusos soterram direitos fundamentais”.

Outro senador “perseguido”, Romero Jucá (PMDB-RR) também reagiu semana passada: "Então, parar a Lava Jato hoje é congelar a calúnia no estado em que ela está”.

"Ou querem apenas aumentar as estatísticas e colocar todo mundo no mesmo fubá, no mesmo angu, na mesma panela?”, questionou outra “perseguida”, a tocantinense Kátia Abreu, tentando provocar uma reflexão no eleitor, a partir, lógico, de seu ponto de vista.

O Instituto Lula já tinha aderido a este ato da narrativa dos suspeitos, antes mesmo das delações da Odebrecht virem à tona. No final do ano passado, em nota, a entidade do ex-presidente — também ela sob suspeita de falcatruas — afirmou: "A Lava Jato, que começou investigando desvios na Petrobras, se tornou uma perseguição ao ex-presidente Lula”.

No passado não foi diferente. Acuado, Demóstenes Torres buscou a tese do perseguido como boia da salvação: “Há um conluio entre Ministério Público e a Polícia Federal para se fazer investigação em cima de um parlamentar”, disse em 2012, no auge das denúncias que pesavam contra ele. “Passei a enfrentar (…) a campanha sistemática mais orquestrada da história do Brasil.”

Claro, se há uma perseguição é porque tem alguém por trás dela. Então, a narrativa prossegue e as cortinas se abrem para o terceiro ato: "A teoria da conspiração”. "Mas seria o caso de perguntar: a quem serve esse abuso? A quem serve essa perseguição?”, tornou a perguntar a senadora Kátia Abreu da tribuna do Senado, semana passada. "Ainda não descobri o que os levaram a praticar tamanha atrocidade. A vontade desinteressada de apedrejar, diminuir e destruir pessoas?”

Em sua época, tentando se livrar da pecha de sócio de Cachoeira, Demóstenes também se esquivou por esse caminho, alertando para uma “tramoia" contra ele: "Se a tramoia der certo e me amputar o mandato, daqui a pouco pode se repetir com outra vítima, outro senador”. Depois continuou ainda insistindo na “teoria da conspiração”: "Esse foi o enredo de criação da atmosfera para, de repente, eu ser um caso sem jeito”.

O último ato, "A disposição feroz para a luta”, é cheio de recados, de demonstração de força, de autoafirmação de que não se abala com a “perseguição" e “conspirações”. "A desonra é pior que a morte. Por isso que eu preferi lutar para salvar o meu mandato”, esbravejou em 2012 o então senador Demóstenes Torres.

Depois de ter sido conduzido coercivamente em março do ano passado, para esclarecimentos à Operação Lava Jato, Lula garganteou: "Se tentaram matar a jararaca, não bateram na cabeça, bateram no rabo. A jararaca tá viva, como sempre esteve".

A tocantinense Kátia Abreu, de estilo mais bélico, jogou toda a sua fúria para o gran finale: "Nada nem ninguém, apenas Deus pode barrar os nossos planos até 2018. Aviso aos adversários, que estão hoje tão contentes, porque sonham com o meu fim, com a minha desistência ou com o meu abalo, digo que é só o começo, pois essa truculência que fizeram comigo e com alguns outros colegas que estão aqui, que estão fazendo hoje, vai me tornar mais forte, mais obstinada”.

Cassado em 2012 por sua suspeita relação com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, Demóstenes, conforme a imprensa goiana, cultiva a possibilidade de retomar sua carreira política. É que a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) anulou em outubro do ano passado todas as escutas e provas decorrentes delas que compõem a ação penal aberta contra o ex-parlamentar no Tribunal de Justiça de Goiás. Destaque-se: questão de falha processual, não de mérito.

No entanto, Demóstenes foi exemplo em 2012 de que essa narrativa em quatro atos não é nenhuma tábua da salvação para envolvidos em escândalos. Mais que construir um discurso convincente, precisarão provar suas inocências, para que, ao fechar das cortinas, a última fala dos envolvidos hoje na Lava Jato não seja a mesma a que se socorreu o ex-senador, há cinco anos, quando em seu discurso, dias antes de perder o mandato, da tribuna do Senado, desabou diante de seus pares: "Peço perdão pelo constrangimento que causei àqueles que me apartearam. Quem está aqui é o mesmo homem, envergonhado, abatido, cansado, esgotado”.

CT, Palmas, 24 de abril de 2017.
Anterior 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Próximo 
Cleber Toledo

É jornalista desde 1992, com passagens por jornais em Paraná, São Paulo e Tocantins. Fundador do site Cleber Toledo.
ct@clebertoledo.com.br
(Foto CT: Ademir dos Anjos)

Publicidade