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Cleber Toledo
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Cleber Toledo é jornalista desde 1992, com passagens por jornais em Paraná, São Paulo e Tocantins. Fundador do Portal CT.

Renúncia já e eleição direta para pacificar o País

CLEBER TOLEDO, DA REDAÇÃO 19 de May de 2017 - 09h36, atualizado às 14h53
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Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Presidente Michel Temer caminha para fazer o pronunciamento em que avisou que não renuncia

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a prisão preventiva do procurador Ângelo Goulart Vilela, preso na manhã dessa quinta-feira, 18, pela Polícia Federal (PF), e determinou sua imediata exoneração da função de assessor da Procuradoria-Geral Eleitoral junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e revogou a participação dele na força-tarefa do caso Greenfield, que apura suspeitas de irregularidades em quatro dos maiores fundos de pensão do País. Exemplo de como se deve agir em casos de corrupção.

O que fizeram os partidos quando vieram à tona denúncias gravíssimas envolvendo membros importantes de seus quadros? O PT trata como heróis bandidos como José Dirceu, Vaccari e Palocci, e defende com unhas e dentes o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com indícios claríssimos de que cometera crimes e contradições absurdas em seus depoimentos. Ainda que essas pessoas tenham jogado no lixo a história de construção da legenda. O PMDB transformou em seu presidente nacional um dos maiores envolvidos com a Operação Lava Jato, o senador Romero Jucá (RR). O PSDB manteve na sua presidência até essa quinta o senador Aécio Neves (MG), há muito tempo contaminado pelas denúncias que agora resultaram em seu afastamento do mandato e do comando da sigla. Como acreditar na política com toda essa conivência com o crime?

Para piorar, vem agora a público a gravação feita por um dos donos do grupo JBS, Joesley Batista, que são fatais para o presidente Michel Temer. O conteúdo, por si só, é avassalador, mas, mesmo que não o fosse, só fato de ter recebido um investigado em cinco inquéritos sobre corrupção e ter mantido o tipo de conversa divulgada nessa quinta, já é o suficiente para que o peemedebista se desqualifique para o maior o cargo da República.

Como o presidente da República Federativa do Brasil aceita, passivamente, que um suspeito de crimes lhe relate a compra de juízes e procuradores? Pior, ao ouvir absurdo com o objetivo de interferir nas investigações, o maior mandatário do País não se indignou. Ao contrário, comemorou a medida ao sussurrar “ótimo, ótimo”.

Quando informado da mesada paga ao ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Temer dá seu aval à compra do silêncio do peemedebista preso em Curitiba (PR): “Tem que manter isso, viu?”.

Na manhã desta sexta-feira, 19, vem outro trecho polêmico. Joesley diz que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, não aceita fazer seus gostos e pede para usar o nome do presidente da República para obrigá-lo a lhe favorecer. Temer autoriza.

Em novo trecho explosivo, Joesley combina visitas ao presidente da República em finais de noite, quando precisar resolver suas pendências, em encontros que, por seu caráter nada republicano, não seriam registrados na agenda do maior mandatário do País.

Do ponto de vista moral, o governo Temer continuou a gestão cleptocrata da era PT. Porém, na economia conseguiu avanços graças à equipe econômica que levou austeridade às contas públicas e conquistou credibilidade junto ao mercado. Esta semana os indicadores mostraram que o rumo está certo: inflação em queda, crescimento da oferta de empregos e do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre. Consequência do avanço das reformas, com a aprovação do teto de gastos públicos e célere tramitação das mudanças na Previdência e na legislação trabalhista.

Contudo, diante da profunda crise política, o presidente perdeu as condições de dar continuidade ao seu governo reformista. Por isso, não tem mais o respeito do mercado — isso ficou claro nessa quinta quando Bolsa de Valores de São Paulo intensificou sua oscilação para baixo após Temer anunciar que não renunciaria.

É fim de governo. Temer não tem como continuar no comando do Brasil. Deveria ter o mínimo de espírito público e renunciar imediatamente. O Congresso precisa emendar a Constituição e convocar eleição para que o povo brasileiro, de forma livre e soberana, escolha seu representante. Só uma eleição direta poderá pacificar o País neste momento. Esse é um direito que já foi tirado uma vez da Nação, também num momento difícil para o País, que fechava um período de 21 anos de ditadura militar.

Não é aceitável o argumento de que, por respeito à Constituição, tem que ser uma eleição indireta. O Parlamento tem 160 de seus membros contaminados pela Lava Jato. Portanto, também está desmoralizado. Se a escolha for pela via indireta, os congressistas colocarão na Presidência aquele que melhor poderá contribuir para resolver a situação judicial deles, não haverá qualquer relação com os interesses nacionais. Uma situação excepcional exige uma exceção constitucional.

Outra desculpa para insistir numa eleição indireta são os custos de um processo de escolha popular. É um gasto justificável pela imensa crise política e diante da necessidade de se pacificar o Brasil. Além disso, tenho dito que democracia é cara mesmo. Barato é ditadura.

CT, Maringá (PR), 19 de maio de 2017.

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