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Programa da Rede Globo destaca o campim dourado na reportagem "O ouro do cerrado"

Da Redação

O programa Ação, exibido pela da Rede Globo nesse sábado, 29, destacou o Jalapão e o capim dourado. Na reportagem "O ouro do cerrado", a emissora fala sobre a vida no local e o desenvolvimento proporcionado por dois maiores símbolos do Estado do Tocantins. Na reportagem há uma referência especial para dona Miúda, de 80 anos, "considerada a matriarca do povoado de mumbuca e a mulher que retomou a tradição indígena de fazer peças com o capim dourado".

Confira abaixo o vídeo e o texto da reportagem da TV Globo:  



"O Ouro do serrado"


Ele brilha como ouro, mas brota das veredas do cerrado brasileiro. O capim dourado é fruto do trabalho de centenas de famílias do norte do país.

"Meu capim, meu capim dourado que nasceu no campo sem se semear...”, as crianças cantam.

“Ele é uma sempre-viva, que ele acontece geralmente nos campos úmidos. Ele não é plantado. A gente pode dizer que ele é semeado quando as pessoas colhem e deixam a flor no local”, afirma Cassiana Solange Moreira, bióloga e educadora ambiental do parque estadual do Jalapão.

Começa em um pequeno povoado, no extremo leste do Tocantins, a história da arte que virou símbolo do estado.

“Esse é o capim, amarelinho. O buriti, um branquinho, começa com o capim, passa a sedinha, aí depois torna a começar o capim outra vez”, explica dona Miúda, 80 anos, artesã.

Dona Miúda, de 80 anos, é considerada a matriarca do povoado de mumbuca e a mulher que retomou a tradição indígena de fazer peças com o capim dourado.

“Quem começou foi minha mãe. Um dia nós ia apanhando buriti na beira do brejo, assim, e ela enxergou aquele amarelo lá, parecendo ouro, amarelinho. Ela foi lá. Eu fiquei cá. Quando ela chegou lá. Ela disse: "filha, vem cá". cheguei lá: "Minha filha, isso aqui é o ouro do cerrado”, diz ela.

Espalhou tanto, que hoje é a principal fonte de renda de mais de 600 famílias.

Dona Maria Angélica aprendeu a técnica com as filhas. Ela tem orgulho de ver onde todos chegaram. “Eu fico muito cheia de alegria”, diz ela.

“A vida dela era sofrida. Na roça, porque ela criou os filhos tudinho na roça. Antes era no sol quente, trabalhando e hoje não. A gente fica aqui costurando, fica conversando e assim nós vamos passando o mês, assim, costurando”, afirma Fernanda Castro da Silva, artesã.

“A partir do capim eu já consegui construir duas casas e já consegui comprar um carro. Agora eu quero ver se eu compro uma moto”, diz Claudiene Castro da Silva, artesã.

“Isso aqui é um resultado pra nós aqui, é muita coisa, muita vantagem. Pra nós muié aqui foi a coisa melhor que teve”, diz Maria Angélica Castro Silva.

“Nós só temos uma preocupação: o medo do capim dourado um dia acabar porque não é todo mundo que tem uma consciência de que não pode colher ele verde, que se colher ele verde, vai arrancar o pé, e dali no outro ano não vai ter”, diz a artesã Maria Tavares.

Para preservar o patrimônio do Jalapão, a fundação Natureza do Tocantins - a Naturatins - estabeleceu regras para a colheita e o manejo da espécie.

“A coleta do capim dourado só pode ser feita dia 20 de setembro ao dia 30 de novembro. Outro ponto que a portaria estabelece: só quem pode coletar o capim dourado e coletar o artesanato são pessoas que são integrantes de associações e que tenham a carteira de extrativistas portada e expedida pelo órgão ambiental”, diz Marcelo falcão soares, presidente do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins).

Quem sobrevive do capim se empenha no trabalho de conscientização. Até porque, uma história como esta só combina com final feliz. “Eu não sinto orgulho. Eu sinto entusiasmo de alegria, de prazer, com esse resultado. Hoje acabou o sofrimento de pobre. Foi o garimpo mais grande que houve no Brasil, foi o capim dourado. Foi o que mais deu futuro foi o capim dourado”, diz dona Miúda, 80 anos, artesã.

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