Em Palmas

Para coordenador da Lava Jato, corrupção no Brasil é "enraizada", "histórica" e "sistêmica"

Deltan Dallagnol cita prevenção, punição adequada e criação de instrumentos para recuperar o dinheiro desviado como formas de combater esse crime

Foto: Rondinelli Ribeiro – Cecom/TJTO
Dallagnol durante aula magna da pós-graduação em Estado de Direito e Combate à Corrupção

Da Redação

O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) na Operação Lava Jato, proferiu nesta terça-feira, 30, a aula magna da pós-graduação em Estado de Direito e Combate à Corrupção, realizada pelo Poder Judiciário do Tocantins, por meio da Escola Superior da Magistratura Tocantinense (Esmat).  Para o coordenador da Lava Jato, corrupção no Brasil existe de forma "enraizada", "histórica" e "sistêmica".

A aula, destinada aos alunos da pós-graduação, magistrados, servidores do Poder Judiciário Tocantinense, estudantes e sociedade em geral, foi proferida no auditório do Tribunal de Justiça e transmitida para as 42 comarcas do Estado.

Na palestra, Deltan Dallagnol apresentou as dificuldades em crimes complexos (investigatórias e sistema de Justiça disfuncional); a compreensão melhor de provas (até mesmo indiciária) e standards probatórios; o emprego de técnicas especiais de investigação (particularmente colaboração premiada); a análise de caso (Lava Jato); as dificuldades e potenciais encontrados, comunicação social em casos de repercussão; as falhas no sistema político e reformas necessárias; e as falhas no sistema de justiça criminal e reformas necessárias.

O procurador fez uma análise da problemática da corrupção e destacou: “A corrupção não é problema do partido A ou do partido B, do governo A ou do governo B. Se nós queremos anular a corrupção que existe no Brasil de modo enraizado, histórico e sistêmico, precisamos mudar as condições que favorecem a corrupção no Brasil. Para isso o Ministério Público Federal e a sociedade encamparam dez medidas contra a corrupção, que tem três pilares centrais: o primeiro é prevenção, evitar que a corrupção aconteça; o segundo é trazer uma punição adequada para o crime de corrupção e fazer com ela saia do papel, dando um basta à impunidade; e o terceiro lugar, criar instrumentos para recuperar de modo satisfatório o dinheiro desviado”.

Participaram da abertura o presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins, desembargador Ronaldo Eurípedes; diretor geral da Escola Superior da Magistratura Tocantinense, desembargador Marco Villas Boas; corregedor geral da Justiça, desembargador Eurípedes Lamounier; presidente da Associação dos Magistrados do Estado do Tocantins (Asmeto), juíza Julianne Freire Marques; coordenador da pós-graduação, professor doutor Tarsis Barreto; e o segundo diretor adjunto da Esmat, juiz José Ribamar Mendes Júnior.

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