Localização em Palmas

Prefeitura quer restabelecer endereços antigos; carteiros preferem o novo

Secretário de Desenvolvimento Urbano, Ricardo Ayres, disse que proposta visa acabar com confusão entre as duas nomenclaturas

Foto: Divulgação
Apesar de não ter sido feita uma transição completa, há placas na cidade com endereçamento novo

Wendy Almieda
Da Redação

Foi aprovado no Conselho de Desenvolvimento Urbano de Palmas relatório que propõe a alteração do endereçamento da Capital para a nomenclatura anteriormente usada. O titular da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, Regularização Fundiária e Serviços Regionais, deputado estadual licenciado, Ricardo Ayres (PSB) informou ao CT que a proposta visa acabar com a confusão entre os dois endereços existentes. Apesar de defender mudanças, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos do Tocantins (Sintect-TO), José Aparecido Rufino, disse que não aprova a volta do endereço antigo, pois segundo ele, os carteiros preferem a atual nomenclatura.

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Ricardo Ayres sobre proposta: “A gente quer acabar com essa confusão. O novo endereçamento que gerou muitas dúvidas”
Em 1997, foi aprovada pela Câmara Municipal a Lei Municipal nº 658/97, que autorizava o Executivo a alterar as nomenclaturas das quadras e logradouros da Capital. A Lei previa que durante o período de implantação do projeto, no prazo de um ano, estariam em vigor, simultaneamente, o endereço antigo e o atual. No entanto, não houve uma transição completa para o endereçamento novo. Os Correios usam a nomenclatura nova nas entregas, mas a prefeitura e o cartório ainda mantêm os registros no modelo antigo. Segundo Ayres, para adoção da nova nomenclatura, o município ou o contribuinte teria que gastar cerca de R$ 40 milhões.

“Não há nenhum registro de imóvel com os novos endereços. Como o município não tem esse recurso para fazer essa mudança, nós não somos irresponsáveis a ponto de assumir um compromisso financeiro desse tamanho para o município que tem que mexer em outras áreas e nem vamos levar esse passivo para os nossos contribuintes. Por isso, a gente está propondo restabelecer o endereçamento antigo que é o que está registrado no Cartório de Imóveis”, explicou o secretário.

O titular da pasta de Desenvolvimento Urbano argumenta ainda que a nova nomenclatura confunde os moradores, pois se mistura com o antigo. “A gente quer acabar com essa confusão. Não justifica o município gastar R$ 40 milhões para adoção de um novo endereçamento que gerou muitas dúvidas”, ressalta.

A proposta é reorganizar as quadras internas (QI), com um CEP por cada quadra, “em detrimento das alamedas”, assim como em Taquaralto e Aurenys, informa o gestor. “Na sinalização a gente vai eliminar a alameda e vai colocar quadras internas e números. Aí a gente uniformiza o endereço de toda Capital”, afirma Ayres.

Trâmite
Para que a alteração venha a ser concretizada, a legislação que criou a nova nomenclatura precisa ser revogada pelos vereadores. O relatório com a proposta da volta do endereçamento antigo será transformado em projeto de lei pelo Executivo e, posteriormente, encaminhado à Câmara Municipal. Se aprovada, a mudança será realizada, segundo Ricardo Ayres, no prazo de dois anos e será implantada também nova sinalização.

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José Aparecido Rufino, representante dos carteiros: "O ideal é melhorar esse novo endereço”
Preferência pelo novo
Conforme o secretário de Desenvolvimento Urbano, os Correios e o Cartório de Imóveis estão de acordo com a alteração. Entretanto, os carteiros, segundo o presidente do Sintect-TO, não aprovam a proposta. “Nós preferimos o novo endereço, porque regulamenta a cidade inteira, não fica aquela questão de Arse, Arso, Arne, Arno e não fica misturado. O ideal é melhorar esse novo endereço”, analisa o sindicalista.

Rufino, assim como o secretário, concorda que a situação atual dos endereçamentos gera confusão. “Do jeito que está tem dois endereços, mas as pessoas misturam os dois, juntam os endereçamentos e criam um terceiro endereço. Na mesma alameda tem vários lotes iguais. Aí fica difícil pra gente entregar as correspondências, e não só para nós, mas para entregadores de loja e empresas de telefonia”, afirma.

O dirigente do Sintect defende que seja criado uma nomenclatura com apenas a identificação da quadra, o número da Alameda (rua sem saída) e o número da residência.

Nomenclaturas
No endereço antigo era utilizado uma sigla que une a zona da cidade, se é Área de Comércio e Serviço Urbano (ACSU), ou área residencial (AR), por exemplo; com a localização pelos pontos colaterais. O cruzamento das avenidas Theotônio Segurado e JK, divide a cidade em quatro quadrantes: Nordeste (NE), Noroeste (NO), Sudeste (SE) e Sudoeste (SO).

Desta forma, as siglas indicavam o uso da quadra e o quadrante em que se encontravam. Cada quadra tinha um nome que consistia em uma sigla seguida de um número como ARSE 62 (Área Residencial Sudeste 62).

Com a mudança de endereçamento, ficou determinado a divisão do plano diretor em região Norte e região Sul pela Avenida JK. E a avenida Theotônio Segurado separou as quadras pares (direitas) das quadras ímpares (esquerdas). Neste caso, o antiga Arse 62, por exemplo, passou a se chamar 605 Sul.

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