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Para dirigentes, apesar de ânimos “exaltados”, não há “desarmonia” ou “rompimento”

Sobre a entrada de cerca de 20 militares com fuzis no gabinete do delegado de Paraíso, coronel Glauber disse que não vê como intimidação: “Excessos vão ser apurados”

WENDY ALMEIDA, DA REDAÇÃO 20 de Apr de 2017 - 22h33, atualizado às 15h47
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Foto: Washington Luiz/Governo do Estado
Subsecretário da PC, Abizair Paniago (às esq.) e o comandante geral da PM, coronel Glauber, na coletiva 

Da Redação

Após o titular da 2ª Delegacia de Paraíso, Cassiano Oyama, divulgar áudio relatando ter sido intimidado por policiais militares, o subsecretário de Segurança Pública do Tocantins, Abizair Antônio Paniago, e o comandante geral da PM, coronel Glauber de Oliveira Santos, realizaram entrevista coletiva com a imprensa no final da tarde desta quinta-feira, 20, para tentar amenizar o impasse. Segundo os dirigentes, apesar dos ânimos estarem "exaltados" com os ocorridos, não há “desarmonia”, “rompimento”, "divergências" ou “revolta” entre as duas corporações. “Nós não entendemos que o que aconteceu é motivo suficiente para uma cisma entre as instituições e se a gente permitir isso, quem perde é a sociedade”, argumentou o representante da SSP.

“São fatos isolados. As duas instituições estão irmanadas, como sempre”, declarou o dirigente da PM. Sobre a entrada de cerca de 20 militares com fuzis no gabinete do delegado, coronel Glauber disse que não vê como intimidação. “A Polícia Militar jamais quis afrontar a sua coirmão e eventuais excessos vão ser apurados”, acrescentou.

O representante da SSP se negou a comentar especificamente sobre esse ocorrido na Delegacia de Paraíso. “Não tenho elementos suficientes para dizer o que aconteceu e quais as providências serão tomadas”, justificou o subsecretário. Conforme Abzair, as medidas serão adotadas, após o delegado comparecer na secretária para esclarecer os fatos.

Para Abizair, também se tratam de fatos isolados e, segundo ele, os “achismos” fizeram com que os ânimos se “exacerbassem”. “Passou-se a fazer muita coisa antes de se apurar efetivamente a real motivação de tudo que aconteceu. Nós temos uma motivação, o delegado de polícia, o Ministério Público e o juiz tiveram uma motivação”, disse o subsecretário, se referindo a ação realizada no Quartel. “A atuação do delegado, por meio de ordem judicial, foi legítima. Agora, com relação a execução da ação é que precisa ser apurada”.

Abzair disse que não é possível permitir que esse “fato isolado” se “alastre” como se existisse divergência entre as duas instituições. “Nós não estamos em divergência, estamos trabalhando juntos para solucionar e evitar que isso ganhe dimensões”, informou. “Tudo que for falado nesse momento e especialmente de forma irresponsável, no sentido de provocar a ira e a revolta de policiais que são coirmãos, não se pode dar uma dimensão. Se houve excessos, isso tem que chegar de forma oficial”, reforçou.

Segundo o subsecretário, todas as atuações policiais que ocorrerem e resultarem na prisão de um membro de alguma corporação, vai causar “sentimento” em meio à categoria. “Nós aqui do comando temos que trabalhar com a razão, porque quando aflora sentimentalmente a emoção, se perde a razão e parte para outros elementos. É isso que está acontecendo nesse momento”, comentou.

União das categorias
Na sua fala, o subsecretário também destacou o trabalho conjunto entre as duas forças de segurança e mencionou o recente caso de assassinato de um militar, em Palmas. “A Polícia Civil atuou irmanada com a Polícia Militar justamente quando houve a perda de um coirmão. Esse é nosso sentido, somos irmãos trabalhando juntos. Eventualmente, pode acontecer algum desacerto, algum desajuste, que vai sendo corrigido ao longo do caminho”, ponderou Abizair.

“A Polícia Militar tem como sua parceira a Polícia Civil. Não dá para a gente trabalhar sem a parceria uma da outra”, confirmou coronel Glauber, ressaltando que as duas forças de segurança trabalham e prol da sociedade tocantinense.

Inquéritos
Tanto o coronel Glauber, quanto o subsecretário disseram que só poderão se posicionar sobre as ações da Polícia Civil e da PM, após conclusão dos inquéritos abertos para apurar a conduta dos policiais nos dois casos. O prazo para conclusão das investigações é de 40 dias.

Entenda
O impasse se iniciou após a Operação “Fructus Putres”, (Frutos Podres), da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual (MPE). Policiais civis e um promotor fizeram busca e apreensão, com ordem judicial, nessa quarta, na residência de dois militares presos e no 8º Batalhão a PM, na cidade. A operação causou indignação nos militares, o que acirrou os ânimos.

“O clima na corporação é de total revolta, de total indignação”, afirmou ao CT um militar, que preferiu não ser identificado. Segundo ele, o 8º Batalhão ficou com os portões fechados por quatro horas, sem que ninguém pudesse entrar ou sair. A sala da P2 foi toda revistada, bem como viaturas. “Foi uma agressão à instituição Polícia Militar”, avaliou a fonte.

Conforme nota divulgada na quarta-feira pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), PC e MPE cumpriram dois mandados de prisão preventiva expedidos em desfavor de policiais militares, cujos nomes ainda não foram revelados.

Além disso, afirmou a SSP, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas residências dos investigados e também em setores do Batalhão da Polícia Militar em Paraíso do Tocantins, onde foram localizadas e apreendidas substâncias entorpecentes, bem como outros materiais.

O questionamento dos militares ouvidos pelo CT não foi quanto o cumprimento da ordem judicial, mas à forma de execução, sem qualquer comunicação ao comando e nem o acompanhamento dele. É isso que diz também nota interna do comandante-geral da PM, coronel Glauber de Oliveira Santos, aos policiais militares.

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