Ninguém está entendendo o objetivo dessa reunião que o PMDB vai fazer na segunda-feira, 22, véspera da possível "degola" do governador Marcelo Miranda (PMDB) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Vai prestar solidariedade? Levar apoio? Levar uma mensagem de confiança? Ninguém entendeu, até porque a grande maioria dos peemedebistas acredita que Marcelo será mesmo degolado na noite de terça-feira, 23. Discutir as eleições de 2010? Isso é conversa para boi dormir.
As eleições de 2010 serão discutidas somente a partir de quarta-feira, 24, quando já haverá o veredicto do TSE, ou pela cassação de Marcelo - e aí restará a ele o juris esperniandi, mas não mudará nada -, ou então o governador será absolvido e glorificado pela mais Alta Corte da Justiça Eleitoral do País, e amanhecerá a quarta-feira como a liderança mais expressiva do Tocantins, mesmo em meio a todas as denúncias que fazem sua administração parecer uma verdadeira bandalheira, uma espécie de "casa da mãe Joana".
Agora, caros modebras, falar em discutir eleições de 2010 nessa segunda-feira com alguém que poderá nem mesmo estar morando no Tocantins no ano que vem, não dá para engolir, mesmo com a gente se esforçando para tentar ser idiota.
Nos bastidores, a informação é de que essa reunião de segunda - que seria no Palácio Araguaia e depois, sabe Deus porquê motivo, foi transferida para a sede do diretório - era para ter sido realizada semana passada. A articulação teria sido do secretário municipal de Finanças de Palmas, Adjair de Lima, aliado de Brito Miranda na prefeitura petista.
Depois de inúmeras conversas com Brito, Adjair chegou para os históricos do PMDB, como o deputado federal Moisés Avelino, e pediu uma ação para prestigiar o governador Marcelo Miranda, para dar apoio, força e motivação a Marcelo. A coisa não andou muito, até porque o PMDB não tem muitos motivos para se solidarizar com o governador. O que Adjair conseguiu foi só uns encontros de Marcelo com o prefeito de Palmas, Raul Filho (PT), nada mais que isso.
O PMDB nunca teve qualquer valor no governo Marcelo Miranda. E mais uma vez voltamos à histórica frase do ex-secretário Júlio Resplande, segundo o qual o PMDB casou com o governo, mas ambos dormem quartos separados; e ainda é preciso fazer referência à emenda de um político do interior: o quarto do PMDB é o da empregada.
Nesta semana conversei por um bom tempo com um histórico peemedebista, que nos idos de 2006 era um apaixonado por Marcelo. Ele aproveitou o ambiente em que estávamos - um restaurante - para comparar: "Compramos uma coca-cola e levamos uma pepsi. Foi só decepção".
O PMDB não teve espaço em "seu" governo, seus candidatos nas eleições municipais [digo "seus" mesmo, os históricos] foram quase todos preteridos [lembram-se do "trator" que atropelou o deputado estadual Eli Borges ano passado em benefício do DEM, em Palmas?] e os peemedebistas ainda reclamam que o governo se aproximou de ex-adversários às custas do sacrifício de suas lideranças.
Um exemplo citado por eles está acontecendo agora, em Augustinópolis. Conforme os peemedebistas, o governador decidiu não ir para o palanque da candidata do PMDB - seu partido - na cidade, Maria do Carmo Alcântara da Silva, a Dona Carmem, por causa da até então candidata do DEM, Dejanira de Almeida Pereira, que teve o registro de candidatura rejeitado pela Justiça Eleitoral nessa sexta-feira, 19. Dejanira é esposa do prefeito cassado, Antônio do Bar (PSDB), que é irmão do deputado estadual Amélio Cayres (PR), que dia desses deixou a União do Tocantins e declarou apoio a Marcelo.
Os peemedebistas não se conformam porque todo esse povo falava horrores de Marcelo em 2005, 2006, 2007 e 2008. A defesa do governador era feita por Dona Carmem e pelo grupo de peemedebistas de Augustinópolis.
Então, o que o Adjair e o Brito querem do PMDB mesmo? Se pararem para refletir e tiverem vergonha na cara, os peemedebistas mandarão os dois se catarem. Mandarão os dois procurarem o DEM da senadora Kátia Abreu, esse sim um partido prestigiadíssimo no governo Marcelo Miranda. Contudo, eles não iriam nunca, porque sabem o que ouviriam de Kátia, que, ao contrário dos princípais líderes modebras, não tem o costume de engolir sapos em nome da conveniência e dos favores.
Se o PMDB está sendo convocado para ir a uma sessão de beijão-mão com Marcelo, deveria ir. Mas, na hora do beija-mão, deveria mandar o governador ir procurá-lo na esquina. O PMDB só foi uma camisa útil na hora em que o governo precisou. Só isso, nada mais.
Agora que está sozinho, que ninguém quer colocar a cara ao seu lado, ninguém quer aparecer com ele na foto, lá vem o governo, de novo, atrás do PMDB, que é fácil de se levar no bico. Essa é a impressão que o governo passa do que pensa de "seu" partido.
O PMDB foi governo sem nunca ter sido.