29/01/10 16h38 29/01/10 16h38

Os Frontispícios do Palácio Araguaia: nem os maus políticos, nem as guerras vencerão a arte



Kátia Rocha
Foi a primeira secretária de Cultura do Estado do Tocantins e a primeira presidente da Fundação Cultural do Estado do Tocantins.
katiarocha11@hotmail.com
O PALÁCIO ARAGUAIA, nos detalhes de sua ousada arquitetura e do seu conjunto ornamental, externo e interno, faz aflorar aos nossos olhos a forte e bela identidade cultural de um povo sonhador que conquistou autonomia política após séculos de luta libertária sacrifícios, abandono e perdas de vidas.

É por isso que o conjunto arquitetônico da nossa jovem e bela Capital, de traço moderno e vínculo com as raízes coloniais mais profundas de nossa História, tem o PALÁCIO ARAGUAIA como sua obra síntese e o maior cartão postal de Palmas.
Sua construção teve início em 1989, com Siqueira Campos e ao longo dos anos recebeu vários monumentos e obras de arte que embelezam o Palácio e contam a história do povo nortense de Goiás pela autonomia política, econômica e social e a criação do Estado do Tocantins.

A obra além do significado histórico abriga um lado curioso e intrigante.

As linhas arquitetônicas do Palácio Araguaia, apesar de partirem de um traçado contemporâneo, tiveram seus fundamentos inspirados nos arcos luso-romanos das Igrejas do Tocantins, principalmente na Igreja do Rosário dos Pretos, de Natividade, que significa um verdadeiro portal para o nosso passado. Ao importarem essa tendência arquitetônica, os arquitetos trouxeram também, involuntariamente, os princípios basilares que esses arcos sustentam desde os primórdios de nossa História. Basta dizer que os portais que sustentam a laje superior são doze, sendo três no lado Norte, três no lado Sul, três na extremidade Oeste e três na extremidade Leste. Se contados os arcos menores, teremos quatro voltados para o Sul e quatro para o Norte. Somados com os demais arcos, levando-se em conta a direção de suas faces, ao invés de posicionamento por extremidades, teremos nove arcos voltados para o sul e nove arcos voltados para o norte. De qualquer forma, há uma grande pertinência numerológica relacionada com a origem dos arcos que sustentam o prédio.

Aqueles que se dedicam ao estudo da numerologia compreendem o significado desses símbolos. Para completar, o monumento frontispício, ou seja, o globo luminoso, erguido sobre as vigas do Palácio Araguaia transmite a impressão de que uma pomba com as asas abertas sustenta o globo. Se observarmos bem, cada uma das asas é composta por doze estruturas em forma de penas.
A visão que diversas pessoas tiveram dessa escultura, apesar do escultor Maurício Bentes ter se inspirado nos monumentos do Egito antigo, é a de que houve intervenção divina e a obra acabou seguindo inspiração bíblica. Para os católicos a obra representa a presença do Divino Espírito Santo e para os evangélicos percebe-se a descida da Pomba, símbolo bíblico do Espírito Santo de Deus, para iluminar os nossos governantes.

Vejamos a surpresa que Deus guardou para todos na edificação da obra: o globo dourado e luminoso simboliza a universal realeza. O poder do Deus Trino sobre o mundo. Globo e cetro podem ser vistos em poder dos reis nas iconografias da história universal. O globo foi visto com Nossa Senhora em diversas aparições, principalmente para Santa Catarina Labourê e para os pastorinhos de Fátima. Na primeira trazia o globo dourado nas mãos. Na segunda, trazia-o pendurado no pescoço. As doze estruturas ou penas de cada asa significam os doze juízes das doze tribos de Judá (o velho) e os doze Apóstolos (o novo), que simbolizam as doze estruturas da Igreja de Jesus Cristo (cada uma com o nome de uma pedra preciosa). No meio, fazendo a união ou passagem (páscoa) entre o velho e o novo está Jesus, com seu poder transformador, elevando o globo, que sinaliza seu poder sobre o Tocantins.

Em diversas passagens bíblicas a referência numerológica ao 12 demonstra sua importância evangélica e a força do seu simbolismo. Em ÊXODO – 24 - 4 e 28 “Então Moisés escreveu todas as palavras do Senhor e, tendo-se levantado de manhã cedo, edificou um altar ao pé do monte, e doze colunas, segundo as doze tribos de Israel.”...28 - Serão, pois, as pedras segundo os nomes dos filhos de Israel, doze segundo os seus nomes; serão como a gravura de um selo, cada uma com o seu nome, para as doze tribos.”

De igual forma, JOSUÉ – 4, I REIS – 18, MATEUS – 19, APOCALIPSE 7, 12, 21 e 22, ATOS 7. O mais interessante de tudo isso é que o autor da obra, o escultor MAURÍCIO BENTES, já falecido, não tinha noção de que estava sendo usado por Deus para executar uma escultura que enalteceu a vitória dos hebreus e do Cristianismo sobre seus opressores, o povo Egípcio. Ao tomar conhecimento dessa visão ficou perplexo e passou a buscar Deus com intensidade, já no final de sua vida.

Devemos registrar que 18.03.1809, considerado o Dia da Autonomia, por ter o príncipe Dom João(depois Dom João VI) assinado a bula que promoveu a primeira divisão territorial de Goiás ao criar a Comarca do Norte e nomear o Desembargador Joaquim Theotônio Segurado para seu Ouvidor-Geral.

Nessa linha, é bom lembrar que Joaquim Theotônio Segurado tem 24 letras no seu nome e que, também, José Wilson Siqueira Campos -criador e fundador do Estado- tem o seu nome composto igualmente por 24 letras. Acresça-se a tudo isso o fato da palavra TOCANTINS ter nove letras e que a primeira proclamação do Governo da Palma foi firmada em 15.09.1821, cujo resultado numerológico é nove, sendo que nove revolucionários assinaram o ato histórico do qual o primeiro signatário foi o Desembargador Joaquim Theotônio Segurado.

Aliás, a sabedoria sempre esteve ligada ao número nove e aos seus múltiplos, tem como símbolo o girassol, flor símbolo do nosso Estado, que vicejava no entorno do Palácio Araguaia e ainda viceja na cidade de Moura, Província de Serpa – Portugal, cidade natal do Ouvidor Segurado.

No Tocantins, há poucos anos atrás foi encontrada na região de Goiatins uma pedra contendo girassóis fossilizados. Todos esses fatores formam um conjunto harmônico que deve ser preservado, não apenas pela beleza da escultura e pelo respeito e preservação exigidos por lei às obras artísticas, mas por sua simbologia, afastadas quaisquer conotações exotéricas ou supersticiosas. Portanto, os números 3, 7, 9 e 12, são fundamentos do Palácio Araguaia, ali estão evidenciados estrategicamente pela vontade divina e visíveis aos olhos de poucos.

Para os céticos, entretanto, penso que simples coincidências explicariam tudo. Para os que não aceitam a arte ou a manifestação de Deus através da obra humana, tudo se justifica. Mas, a arte e o belo sempre prevaleceram. Nem os maus políticos e nem as guerras vencerão a arte, símbolo maior da liberdade humana e do amor, inspiração do Espírito Santo de Deus.

Por estas razões, é grande a preocupação com a retirada dos frontispícios do Palácio Araguaia sob a alegação de manutenção. Muitas perguntas não foram esclarecidas e permanece a dúvida das reais intenções dos atuais governantes em relação ao destino das obras de arte que tanto embelezam o Palácio Araguaia.

Não há notícia de que em qualquer parte do mundo tenha sido retirada, para manutenção, OBRA FIXA, ainda que antiga. E este não é o caso do Frontispício do Palácio Araguaia que ainda não completou 10 anos.

Recentemente o país inteiro acompanhou a restauração do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, sem a remoção ou desmonte de qualquer peça. Se há necessidade de qualquer restauração no frontispício do Palácio Araguaia, o procedimento deveria ser o mesmo adotado com o Cristo e a restauração feita no local da obra.

Por que a obra foi retirada na calada da noite? Por que retirar os frontispícios do local, sob a alegação de manutenção, sendo que os mesmos são obras recentes, com material utilizado de grande resistência e durabilidade? O que está danificado no monumento e que levou à retirada do Palácio Araguaia? Quem é o artista que está realizando a manutenção deste monumento? Onde este monumento está sendo restaurado, qual o endereço? Quanto tempo vai demorar sua restauração? Quanto vai custar essa restauração?

Afinal, onde estão os frontispícios do Palácio Araguaia?

A sociedade quer respostas.
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*Artigo sobre a polêmica dos Frontispícios publicado pela imprensa tocantinense em novembro de 2006 e republicado agora no CT com autorização da autora.
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