13/12/12 20h43 14/12/12 15h36

Policial militar é acusado de assassinar aposentado em Darcinópolis

Ele já foi afastado dos serviços operacionais até que as investigações sejam concluídas
Raimunda Carvalho
Da Redação

Justino Pereira de Sá, 68 anos, foi assassinado nesta quinta-feira, 13, no setor Alto Bonito, em Darcinópolis. Ele não era casado, não tinha filhos e morava sozinho.

De acordo com os primeiros relatos, a vítima estava realizando um trabalho de roçagem em um terreno baldio próximo a sua residência quando teria ameaçado com uma foice o filho de uma vizinha.

A Polícia Militar (PM) foi acionada, mas, ainda conforme relatos, chegou atirando. Sá, ao receber um tiro na perna, teria jogado a foice ao chão.

No entanto, ainda conforme os relatos, mesmo a vítima tendo largado a ferramenta, o militar identificado por sargento Gilmar, continuou atirando contra ele. Cinco tiros foram detonados, um acertou o peito de Sá.

Depoimento
Em seu depoimento, o militar acusado disse que atirou em legítima defesa, uma vez que a vítima teria reagido usando uma foice.

Já o comandante do 2º batalhão de Araguaína, tenente coronel Edson Murussi Leite, afirmou que já foi instaurando um inquérito pelas Polícias Militar e Civil para que a ocorrência seja apurada.

“O policial militar já foi afastado dos serviços operacionais até que as investigações sejam concluídas. Contra ele não há nenhuma ocorrência disciplinar nestes 20 anos de serviços prestados a corporação”, afirmou Leite.

Contudo, o comandante fez questão de enfatizar que a vítima já tinha passagem pela polícia. “No dia 31 de agosto deste ano, o aposentado foi preso por porte ilegal de arma”, garantiu.

Corregedoria
No dia 18 de outubro uma emissora de TV da Capital divulgou que a Corregedoria da Polícia Militar do Tocantins (PM) investiga o suposto envolvimento de militares nas seis mortes ocorridas em Gurupi, em setembro.

Os militares são Amarildo Cordeiro Duarte, Heber Cleber Rezende, Marcelo Guimarães Barros, José Alberto Sousa Abreu da Mata, Elpides de Oliveira Silva e Elizabeth Pereira Dias Oliveira.

Já as pessoas assassinadas foram Cláudio Roberto Pereira Silva, 27 anos, Daniel Alves Batista, 18 anos, Genildo Miranda da Silva, 22 anos, Reginaldo Alves Miranda, 34 anos, Walison de Oliveira Gomes, 18 anos, e Ana Paula Lima, 21 anos. As vítimas morreram com tiros na cabeça.

O mandado de prisão temporária decretada no dia 27 de novembro foi por determinação do juiz Ademar Alves de Souza Filho.

Segundo a emissora, só este ano, três militares foram afastados da corporação. O primeiro foi Antônio Vieira da Silva, 41 anos, que, há 18 anos, era cabo da PM.

Ele foi afastado da corporação no dia 15 de outubro. De acordo com a Corregedoria da Polícia Militar do Tocantins (PM), ele é acusado de ser o mentor de um assalto à agência dos Correios, em Luzinópolis, em março deste ano. Antônio foi detido pelos próprios colegas.

Conforme a PM, o militar teria sido denunciado por formação de quadrilha e tentativa de assalto. Também foi apurado que Silva participou ativamente no planejamento do assalto à agência dos Correios, em Luzinópolis e deu apoio aos envolvidos na ação.

Ainda neste ano, além deste caso, o cabo Jhonata Parente Aguiar foi afastado em janeiro por ter adulterado a placa de um veículo apreendido em Gurupi. Já em 2011, José Arnaldo dos Santos foi excluído da corporação por furto.

Na Corregedoria, de acordo com a reportagem, estão em andamento mais sete processos disciplinares que preveem a expulsão de militares que estariam envolvidos em crimes e que podem ser desligados da corporação.

Um deles está relacionado com o militar preso em março deste ano apontado de participar em três assassinatos.