Em Fortaleza do Tabocão

Em evento "frio", Jucá descarta nova intervenção no PMDB do Tocantins

No congresso estadual da legenda, presidente nacional garantiu que partido vai para as eleições como dirigentes, filiados e eleitores decidirem; presidente regional, Derval de Paiva, voltou a deixar claro a péssima relação da senadora com a sigla

Luís Gomes
Da Redação

O encontro estadual do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), realizado na manhã desta sexta-feira, 17, evitou polêmicas e quase não falou sobre eleições. O discurso do presidente nacional da legenda, senador Romero Jucá (RR), foi o destaque do evento, realizado em Fortaleza do Tabocão. O líder do governo federal no Congresso Nacional defendeu mudança de posicionamento da sigla, cobrando a definição de bandeiras claras; revelou não se preocupar com a Operação Lava Jato, e garantiu que no Tocantins, o partido vai para as eleições de 2018 como os dirigentes, filiados e eleitores decidirem. O partido hoje tem dois pré-candidatos a governador no Estado, o atual comandante do Palácio Araguaia, Marcelo Miranda (PMDB), que começa a se mobilizar para tentar se tornar viável no ano que vem; e a senadora Kátia Abreu.

Romero Jucá admitiu aos correligionários presentes no congresso “Na Travessia da Ponte para o Futuro” que há “uma falência da representatividade dos partidos políticos”. Diante deste momento de crise das agremiações, o senador de Roraima disse que quer implantar um “novo PMDB”, com “bandeiras claras”, citando como exemplo uma atuação contra invasões de terra, e de escolas - referência aos protestos contra a reforma do ensino médio -, na defesa da mulher, da primeira infância e da iniciativa privada.

"Obra do destino"
O presidente nacional criticou o PMDB por ter o histórico de sempre ser lembrado no quesito governabilidade, e não pelos projetos. “Nos últimos anos os partidos foram ficando iguais, tendo os mesmos programas. E o PMDB começou a virar aquele que só dá governabilidade para outros governarem. Desculpem, mas não é esse o PMDB que eu quero, quero o PMDB mudando o Brasil”, disse Romero Jucá, alegando em seguida que a chegada de Michel Temer a presidência da República foi “obra do destino”.

A única menção às eleições de 2018 por Romero Jucá foi a necessidade de começar a discussão ainda neste ano. O senador também repercutiu uma pergunta feita por repórteres antes do evento, sobre a indicação da direção nacional ao Estado sobre o pleito do ano que vem. "O PMDB do Tocantins vai do jeito que os eleitores, filiados e dirigentes do Tocantins quiserem”, garantiu. Em 2014, entretanto, a candidatura de Marcelo Miranda ao governo e de Kátia Abreu ao Senado só foi garantida por meio de intervenção da legenda, tirando-a do então deputado federal Júnior Coimbra.

Foto: Luís Gomes/CT
Congresso peemedebista reuniu a militância do partido em Fortaleza do Tabocão


Lava Jato
Mesmo na lista que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF), relativo a Operação Lava Jato, Romero Jucá disse apoiar, assim como Michel Temer, as investigações. “A política vive um momento de grande turbulência, mas o que nós queremos é que o Ministério Público investigue quem quiser. Quem quiser parar a Lava Jato está contra a política, é contra o País”, afirmou. Por outro lado, o senador criticou a imprensa por “julgar” e “condenar” os políticos antes da conclusão da Justiça.

Romero Jucá demonstrou não estar apreensivo com as acusações e pediu agilidade na apuração. “Não é nenhum demérito em ser investigado, e sim em ser condenado. Não perco um dia de sono. Sei o que fiz e cobro da Lava Jato que a investigação seja rápida”, disse o peemedebista, que só se preocupa com a influência no processo eleitoral. “Vamos enfrentar todos os desafios. As instigações tem que ocorrer rápido porque 2018 tem eleição, e é inadmissível colocar uma nuvem negra em toda a classe política. Exterminar a política é abrir margem para a aventura", justificou.

Arrancada
O discurso do governador Marcelo Miranda foi de inúmeros agradecimentos e passou longe de qualquer menção às eleições de 2018, apesar da dúvida que envolve o nome do peemedebista: candidatura à reeleição ou ao senado. O chefe do Executivo demonstrou apoio ao projeto de Romero Jucá de dar uma nova cara ao partido. "A presença de vossa excelência traduz o que nós queremos para o PMDB hoje: mudanças", afirmou. O peemedebista não fez mais observações durante seu pronunciamento.

Mais cedo, antes de subir ao palco, Marcelo Miranda conversou brevemente com a imprensa. Questionado sobre a expectativa para 2018, o governador limitou a dizer ser "as melhores possíveis", mas sem revelar se pretende disputar a reeleição ou uma vaga no Senado. Apesar da indefinição, o peemedebista colocou o evento com um pontapé para o debate. "Acredito que este é o momento de arrancada para uma discussão mais ampla dentro do PMDB, e porque não dizer dos partidos que aqui estão para prestigiar nosso partido", disse

Marcelo Miranda desconversou ao ser abordado sobre sua relação com Kátia Abreu. "Eu respeito o posicionamento de qualquer líder político, mas o momento agora é de pensar no PMDB." Mas quem voltou a deixar claro a péssima relação da senadora com o partido foi o presidente estadual, Derval de Paiva, que reafirmou que as portas da legenda estão abertas para ela sair. O peemedebista também disparou contra Carlos Amastha, chamando-o de "aborto", questionando o seu perfil "provocador". Os detalhes do que disse o dirigente estará no próximo Conversa da Segunda.

Participações
O evento contou com a presença ainda do senador Pedro Simon (PMDB-RS) e do ex-governador do Rio Grande do Sul Germano Rigotto (PMDB), este último fez discurso empolgado, afirmando querer ver Marcelo Miranda ser eleito pela quarta vez governador do Tocantins e garantindo que: “Ninguém vai impedir que o PMDB tenha candidato à presidência da República em 2018”.

Além de secretários do governo Marcelo Miranda, também marcaram presença os deputado federais Josi Nunes (PMDB) e Lázaro Botelho (PP), os deputados estaduais Nilton Franco (PMDB), Valdemar Júnior (PMDB), Amélio Cayres (SD) e Valderez Castelo Branco (PP), líder do Palácio Araguaia na Assembleia; o prefeito de Paraíso do Tocantins, Moisés Avelino (PMDB), a vice-governadora Cláudia Lelis (PV), entre outros líderes políticos.

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