Tonolucro

Em evento "frio", Jucá descarta nova intervenção no PMDB do Tocantins

No congresso estadual da legenda, presidente nacional garantiu que partido vai para as eleições como dirigentes, filiados e eleitores decidirem; presidente regional, Derval de Paiva, voltou a deixar claro a péssima relação da senadora com a sigla

LUÍS GOMES, DA REDAÇÃO 17 de Mar de 2017 - 17h58, atualizado às 10h58
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Luís Gomes
Da Redação

O encontro estadual do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), realizado na manhã desta sexta-feira, 17, evitou polêmicas e quase não falou sobre eleições. O discurso do presidente nacional da legenda, senador Romero Jucá (RR), foi o destaque do evento, realizado em Fortaleza do Tabocão. O líder do governo federal no Congresso Nacional defendeu mudança de posicionamento da sigla, cobrando a definição de bandeiras claras; revelou não se preocupar com a Operação Lava Jato, e garantiu que no Tocantins, o partido vai para as eleições de 2018 como os dirigentes, filiados e eleitores decidirem. O partido hoje tem dois pré-candidatos a governador no Estado, o atual comandante do Palácio Araguaia, Marcelo Miranda (PMDB), que começa a se mobilizar para tentar se tornar viável no ano que vem; e a senadora Kátia Abreu.

Romero Jucá admitiu aos correligionários presentes no congresso “Na Travessia da Ponte para o Futuro” que há “uma falência da representatividade dos partidos políticos”. Diante deste momento de crise das agremiações, o senador de Roraima disse que quer implantar um “novo PMDB”, com “bandeiras claras”, citando como exemplo uma atuação contra invasões de terra, e de escolas - referência aos protestos contra a reforma do ensino médio -, na defesa da mulher, da primeira infância e da iniciativa privada.

"Obra do destino"
O presidente nacional criticou o PMDB por ter o histórico de sempre ser lembrado no quesito governabilidade, e não pelos projetos. “Nos últimos anos os partidos foram ficando iguais, tendo os mesmos programas. E o PMDB começou a virar aquele que só dá governabilidade para outros governarem. Desculpem, mas não é esse o PMDB que eu quero, quero o PMDB mudando o Brasil”, disse Romero Jucá, alegando em seguida que a chegada de Michel Temer a presidência da República foi “obra do destino”.

A única menção às eleições de 2018 por Romero Jucá foi a necessidade de começar a discussão ainda neste ano. O senador também repercutiu uma pergunta feita por repórteres antes do evento, sobre a indicação da direção nacional ao Estado sobre o pleito do ano que vem. "O PMDB do Tocantins vai do jeito que os eleitores, filiados e dirigentes do Tocantins quiserem”, garantiu. Em 2014, entretanto, a candidatura de Marcelo Miranda ao governo e de Kátia Abreu ao Senado só foi garantida por meio de intervenção da legenda, tirando-a do então deputado federal Júnior Coimbra.

Foto: Luís Gomes/CT
Congresso peemedebista reuniu a militância do partido em Fortaleza do Tabocão


Lava Jato
Mesmo na lista que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF), relativo a Operação Lava Jato, Romero Jucá disse apoiar, assim como Michel Temer, as investigações. “A política vive um momento de grande turbulência, mas o que nós queremos é que o Ministério Público investigue quem quiser. Quem quiser parar a Lava Jato está contra a política, é contra o País”, afirmou. Por outro lado, o senador criticou a imprensa por “julgar” e “condenar” os políticos antes da conclusão da Justiça.

Romero Jucá demonstrou não estar apreensivo com as acusações e pediu agilidade na apuração. “Não é nenhum demérito em ser investigado, e sim em ser condenado. Não perco um dia de sono. Sei o que fiz e cobro da Lava Jato que a investigação seja rápida”, disse o peemedebista, que só se preocupa com a influência no processo eleitoral. “Vamos enfrentar todos os desafios. As instigações tem que ocorrer rápido porque 2018 tem eleição, e é inadmissível colocar uma nuvem negra em toda a classe política. Exterminar a política é abrir margem para a aventura", justificou.

Arrancada
O discurso do governador Marcelo Miranda foi de inúmeros agradecimentos e passou longe de qualquer menção às eleições de 2018, apesar da dúvida que envolve o nome do peemedebista: candidatura à reeleição ou ao senado. O chefe do Executivo demonstrou apoio ao projeto de Romero Jucá de dar uma nova cara ao partido. "A presença de vossa excelência traduz o que nós queremos para o PMDB hoje: mudanças", afirmou. O peemedebista não fez mais observações durante seu pronunciamento.

Mais cedo, antes de subir ao palco, Marcelo Miranda conversou brevemente com a imprensa. Questionado sobre a expectativa para 2018, o governador limitou a dizer ser "as melhores possíveis", mas sem revelar se pretende disputar a reeleição ou uma vaga no Senado. Apesar da indefinição, o peemedebista colocou o evento com um pontapé para o debate. "Acredito que este é o momento de arrancada para uma discussão mais ampla dentro do PMDB, e porque não dizer dos partidos que aqui estão para prestigiar nosso partido", disse

Marcelo Miranda desconversou ao ser abordado sobre sua relação com Kátia Abreu. "Eu respeito o posicionamento de qualquer líder político, mas o momento agora é de pensar no PMDB." Mas quem voltou a deixar claro a péssima relação da senadora com o partido foi o presidente estadual, Derval de Paiva, que reafirmou que as portas da legenda estão abertas para ela sair. O peemedebista também disparou contra Carlos Amastha, chamando-o de "aborto", questionando o seu perfil "provocador". Os detalhes do que disse o dirigente estará no próximo Conversa da Segunda.

Participações
O evento contou com a presença ainda do senador Pedro Simon (PMDB-RS) e do ex-governador do Rio Grande do Sul Germano Rigotto (PMDB), este último fez discurso empolgado, afirmando querer ver Marcelo Miranda ser eleito pela quarta vez governador do Tocantins e garantindo que: “Ninguém vai impedir que o PMDB tenha candidato à presidência da República em 2018”.

Além de secretários do governo Marcelo Miranda, também marcaram presença os deputado federais Josi Nunes (PMDB) e Lázaro Botelho (PP), os deputados estaduais Nilton Franco (PMDB), Valdemar Júnior (PMDB), Amélio Cayres (SD) e Valderez Castelo Branco (PP), líder do Palácio Araguaia na Assembleia; o prefeito de Paraíso do Tocantins, Moisés Avelino (PMDB), a vice-governadora Cláudia Lelis (PV), entre outros líderes políticos.

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