Tonolucro

Amastha é "aborto", Kátia abandonou o PMDB e é precipitado antever destino de Marcelo, diz Derval

Presidente regional do partido garante que não há clima para colegas partidários tirarem da sigla o “direito” de ter candidato em 2018, devido à “tradição” da legenda na disputa

CLEBER TOLEDO, DA REDAÇÃO 20 de Mar de 2017 - 07h51, atualizado às 09h01
Compartilhe
Luís Gomes
Da Redação

O presidente do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) no Tocantins, Derval de Paiva, destoou do clima morno do congresso “Na Travessia da Ponte Para o Futuro” e, em conversa com a imprensa e posteriormente apenas com o CT, disparou contra dois dos principais pré-candidatos ao governo, o prefeito de Palmas, Carlos Amastha (PSB), e a senadora Kátia Abreu (PMDB). O dirigente referiu-se ao primeiro como “aborto vivo” e, em relação à correligionária, fez questão de expor a péssima relação dela com a legenda no Estado.

"Ela [Kátia Abreu] nunca esteve de corpo e alma no partido, ela usufruiu do partido algumas vezes"

Ao chamar o prefeito Carlos Amastha de “aborto”, o presidente peemedebista condenou o seu perfil “provocador” e disse que seu histórico “é só de insultar”. Quanto à Kátia Abreu, Derval de Paiva afirma que a senadora tem “livre trânsito”, mas reforça que "as portas, janelas e porteiras" do partido “estão abertas”. Questionado sobre a viabilidade de ambos como candidatos, o dirigente revela não conseguir opinar, afirmando que o cenário estará mais estabelecido a partir de outubro deste ano, exatamente um ano antes das eleições nacionais e estaduais.

Em relação ao projeto do governador Marcelo Miranda (PMDB) para as eleições de 2018 - reeleição ou Senado - Derval de Paiva disse não poder “se precipitar” sobre assunto, completando que “só o tempo dirá” qual será o futuro eleitoral do comandante do Palácio Araguaia. Entretanto, o presidente foi enfático ao avaliar não haver clima para colegas partidários tirarem do PMDB o “direito” de ter candidato ao Executivo, devido à “tradição” da legenda na disputa.

Confira abaixo a íntegra do que disse o presidente Derval de Paiva:

Qual o objetivo do congresso do partido “Na Travessia da Ponte para o Futuro”?
Derval de Paiva: Energizar a companheirada, dar boas novas para eles, porque o período mais difícil nós acabamos de atravessar. A Ponte para o Futuro é o simbolismo, é o caminho que estamos agora a fazer, a ligação, que é o papel da ponte. Ela foi construída imaginariamente, como simbologia, para a discussão dos brasileiros.

O evento é uma forma de reorganizar o partido?
Derval de Paiva: O partido agora no Tocantins está 100% organizado, com todas as suas dificuldades superadas. Daqui para frente é dizer para toda a companheirada que os momentos mais difíceis de toda essa luta, que tem mais de dois anos, pegou prumos e bons rumos. É preciso que cada um assuma o seu papel de dirigente partidário para ajudar a alavancar o Estado e o País.

Como está a relação da senadora Kátia Abreu com o partido?
Derval de Paiva: Ela nos abandonou faz tempo. A gente já não a tem como partidária, como companheira, porque ela fez o papel da deserção, ela deserdou-se.

O governador Marcelo Miranda será candidato à reeleição ou ao Senado?
Derval de Paiva: O tempo dirá. Não podemos precipitar nada. Agora, quem tiver legitimidade e espírito público tem que se colocar para a luta. O tempo vai dizer.

O PMDB sofre hoje um desgaste no cenário nacional e também no Estado. Como o senhor assiste a isso? Os dois governos terminam com boa avaliação?
Derval de Paiva: Veja bem, vamos subir de cima para baixo porque Michel [Temer] deve estar feliz da vida com todos os indicativos [melhora da economia] que a imprensa já externou na madrugada de ontem [quinta-feira, 16], amanhecer de hoje [sexta-feira, 17]. E o Marcelo Miranda, tocantinense aqui, já começa a colher os frutos de seu próprio sofrimento, dois anos de peleja ininterrupta. Mas agora o dia já amanhece mais claro para todos nós.

O prefeito de Palmas, Carlos Amastha, tem se apresentado como o novo na política. O senhor acha que ele é uma novidade na política do Tocantins?
Derval de Paiva: Ele é um aborto… Aborto. Não passa disso. Na verdade, é um fato novo que consegue fazer coisas que a gente não entende. Com 72% de reprovação consegue ser prefeito. E o seu histórico é só insultar, de provocar, ofender. Não penso que a sociedade goste disso. Portanto, é um fato novo, é um aborto vivo.

O senhor afirmou que a senadora Kátia Abreu abandonou o PMDB há muito tempo...
Derval de Paiva: Ela nunca foi [do PMDB].

Sobre Amastha: "E o seu histórico é só insultar, de provocar, ofender. Não penso que a sociedade goste disso"
O PMDB vai montar como cabeça de chapa ou vai compor?
Derval de Paiva: A coisa mais difícil do mundo é fazer o PMDB recuar de suas tarefas. Ele teve importância fundamental. E no discurso que ouvi na solenidade ao [ex-governador de Goiás] Henrique Santillo, está demonstrada a nossa história, que desde a sua criação nunca ficou sem uma candidatura própria. Tirar dele essa condição não é coisa fácil não.

Qual a sua expectativa para o PMDB nestas eleições de 2018 no questão dos Parlamentos. Com esta crise que o partido enfrenta por causa da Operação Lava Jato, você acredita que as cadeiras na Câmara, Senado e na Assembleia serão mantidos?
Derval de Paiva: Agora na separação do joio para o trigo, nós vamos ocupar espaços mais elevados.

Atualmente no cenário político a gente vê a polarização entre Kátia Abreu e Carlos Amastha para as eleições de 2018. Acredita que os dois virão candidatos competitivos?
Derval de Paiva: Acho que tudo que fazemos aqui é uma mera conjectura. Temos que aguardar mais este momento. Para gente ver, talvez, o prazo meio limite para isso acho que ainda chega até o mês de outubro, é o elástico que tem para esticar e encolher, é a folha da sanfona. Antes disso acho difícil ter uma definição. São muitas águas ainda para baixar debaixo da ponte.

Se Marcelo Miranda não se recuperar deste desgaste, o PMDB teria disponibilidade de apoiar outro nome?
Derval de Paiva: É difícil neste momento você tirar do PMDB a sua história, o seu histórico. Desde a sua criação [no Tocantins], nenhuma eleição a gente deixou de participar na candidatura majoritária; majoritária executiva, evidentemente. Não penso que tem clima favorável para os partidários negarem ao partido este direito de continuar a tradição.

Kátia Abreu deixará o PMDB por expulsão ou quando ela quiser?
Derval de Paiva: Ela nunca esteve de corpo e alma no partido, ela usufruiu do partido algumas vezes. O PMDB e o peemedebismo tem clareza que já deu para ela duas oportunidades no Senado, mas nunca a considerou partidária. De forma que ela tem mesmo esse livre trânsito, e da nossa parte, as portas, as janelas e as porteiras estão todas abertas para ela fazer o que ela quiser.

Caso a senadora Kátia Abreu fique no PMDB até 2018, como o partido vai lidar com sua presença em relação às eleições?
Derval de Paiva: Amanhã é outro dia. Mas não penso que ela tenha capacidade agora de recuperar todas as feridas criadas no partido.

Comentários

Redação: Palmas, Tocantins, Brasil, +55 (63) 9 9219.5340, +55 (63) 9 9216.9026, [email protected]
2005 - 2017 © Cleber Toledo • Política com credibilidade
ArtemSite Agência Digital