Tonolucro

Kátia diz que pediu para ser ouvida “na maior brevidade” e avisa adversários: "É só o começo”

Senadora na tribuna: "Aviso aos adversários, que estão hoje tão contentes porque sonham com o meu fim, com a minha desistência ou com o meu abalo: essa truculência vai me tornar mais forte, mais obstinada”

CLEBER TOLEDO, DA REDAÇÃO 20 de Apr de 2017 - 10h36, atualizado às 13h36
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Da Redação

Em pronunciamento feito nessa quarta-feira, 19, da tribuna, a senadora Kátia Abreu disse que formalizou ao relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, pedido para que ela e o seu esposo, Moisés Gomes, possam ser ouvidos "dentro da maior brevidade possível" e ainda que o inquérito tenha "uma rápida tramitação e uma urgente solução". A decisão, conforme a parlamentar, se deu em defesa de sua honra e de seu esposo — que ela classificou como “um homem honesto, honrado e trabalhador” — e de seus eleitores e admiradores, de sua família, que, afirmou, "não podem esperar a vontade e o tempo do seu acusador”.

A parlamentar, que tinha o codinome Machado, e o marido são acusados pelos delatores da Odebrecht de terem recebido R$ 500 mil via caixa 2, em duas parcelas, para campanha de reeleição dela no Senado, em 2014.

Kátia fez uso dos próprios depoimentos dos executivos da Odebrecht para negar que teria recebido recursos da empresa nas eleições de 2014. “Doação que nunca existiu e que nunca recebi”, discursou a senadora. No seu pronunciamento, ela disse que "não há qualquer dúvida" de que, além de não receber qualquer importância da empresa Odebrecht, "jamais contribui com a ascensão ou com a escalada criminosa desta empresa ou de qualquer outra”.

Segundo Kátia, é verdade que ela, seu esposo e assessoria apresentaram para várias empresas, especialmente do agronegócio brasileiro, na condição de potenciais doadores, os projetos de campanha, do mandato que exercia e do futuro mandato. “Uma prestação de contas de tudo o que fiz nos últimos oito anos em prol do Brasil, da economia, do crescimento, do emprego e da geração de renda”, afirmou.

De acordo com a senadora, não foi diferente com a Odebrecht: “Ligamos, conversamos, apresentamos projetos e objetivos públicos da campanha e do mandato, como disseram os delatores, a troco de absolutamente nada. Depois de algumas tratativas e encontros, os representantes da Odebrecht, não doaram absolutamente nada à senadora Kátia Abreu; apresentaram uma lista de possíveis doadores, também de construtoras, que eu deveria procurar para pedir ajuda a essas empresas”, ressaltou Kátia.
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
Kátia Abreu, da tribuna: "Mesmo aqueles que não puderam votar, nunca tiveram dúvida da minha personalidade e do meu caráter"
"Jogralzinho"
Ela disse não entender o”jogralzinho” dos funcionários da Odebrecht: “Eles não dizem, em nenhum momento, quem entregou o dinheiro, onde foi que entregou o dinheiro e para quem entregou o dinheiro”, afirmou. Conforme a senadora, o que mais a deixou “curiosa" foi que os procuradores que interpretou e investigou o seu caso "nenhum deles perguntou” sobre essas questões apontadas por ela. "Porque, se fosse eu, que sou leiga, seria a primeira pergunta que eu iria fazer: 'A Senadora ou o marido dela buscou o dinheiro onde, meu senhor? Quem é que buscou o dinheiro? Quem é que entregou o dinheiro? Qual é o endereço da entrega do dinheiro?’ Mas eles não disseram e não foram inquiridos sobre isso. E eu desejo uma satisfação sobre isso.”, discursou a parlamentar.

“Quero que eles digam e complementem as suas delações; eu quero o endereço; eu quero o nome; eu quero a filmagem; eu quero uma prova de que a senadora Kátia Abreu, ou o seu esposo, saiu de algum lugar com sacola de dinheiro na mão. Isso não se faz com as pessoas, e eu não admitirei que façam comigo e com o meu marido. Sr. Presidente, lá atrás, o Cláudio Melo ainda referendou tudo isso. A Procuradora perguntou: "Quem foi lá em nome dela?", "Não sei. Não sei.”

Porém, os delatores dizem que quem pegou os R$ 500 mil foi o marido dela, Moisés Gomes. “Nesse contexto, relatam [os delatores] o pagamento de R$ 500 mil, divididos em duas parcelas de R$ 250 mil, repasses ocorridos em setembro e outubro do ano de 2014, em encontros no Hotel Meliá, no Jardim Europa, em São Paulo”, escreve, inclusive, o ministro Edson Fachin, em sua decisão.

A senadora continuou citando o depoimento do delator Cláudio Melo que disse no termo de delação n° 33, do vídeo 33: "Não tenho relacionamento com a Srª Kátia Abreu." "Não tenho contato." "Não a conheço." "Não conheço a senadora." "Na época não conhecia mesmo." São seis respostas a seis perguntas dos procuradores que estavam inquirindo Cláudio Melo", disse Kátia. Melo contou aos procuradores da Lava Jato que realmente não conhecia a senadora, mas que foi ela quem ligou para ele e lhe afirmou que Marcelo Odebrecht tinha autorizado uma contribuição para empreiteira para a sua campanha.

Cláudio Melo Filho disse à Lava Jato que citava Kátia na delação como exemplo da arrogância dos políticos de Brasília. "Este relato é apenas para mostrar como às vezes somos abordados por pessoas com quem não temos relação, mas que muitas vezes esses agentes políticos se acham no direito de proceder como querem apenas em razão de possuir mandato eletivo”, afirmou em seu depoimento.

Também da tribuna nessa quarta, a senadora citou o depoimento do delator José Carvalho, no termo nº 8, vídeo 8: "Só vi a Senadora uma única vez, num restaurante em São Paulo. Passando pela minha mesa, o seu esposo a apresentou a mim, porque eu fui fazer uma palestra e participar de uma discussão sobre eclusas lá na CNA, em certa ocasião, mas ela não estava presente. Conheci a Senadora rapidamente neste restaurante. Jamais defendeu interesses da empresa”.

Kátia ainda se reportou ao ex-diretor da Odebrecht Ambiental Fernando Reis. Segundo ela, Reis disse em sua delação completa que a senadora Kátia Abreu e o ex-governador Siqueira Campos os ajudaram, no caso do impasse do contrato de R$ 240 milhões para a univesalização da coleta e tratamento esgoto de Palmas, "porque era um absurdo perder aqueles investimentos todos por interesses pessoais”. "O prefeito criou uma comissão para, em 90 dias, avaliar a caducidade da concessão da Odebrecht no Tocantins, que é a concessão de água, com mais 90 para decidir”, diz o diretor Fernando Reis na delação.

Segundo a senadora, o ex-diretor informa na delação que com a Prefeitura de Palmas “na verdade, era uma mesa de negociação". Kátia disse que Reis afirmou que a situação “gerou problemas". "O capital da empresa é aberto, tem debêntures. Esse tipo de notícia afugentou investidores, e eu tive que demitir mil funcionários no Tocantins, por conta do atraso da assinatura da concessão”, afirmou o delator. "Mas, depois, fizeram um acordo. Não me interessam os padrões e os níveis deste acordo,” falou a parlamentar.

Porém, Reis negou ter pago qualquer coisa ao prefeito de Palmas, Carlos Amastha (PSB). “Nunca pagamos absolutamente nada a ele, ao contrário, nós paralisamos os investimentos, mandamos mais de mil funcionários embora”, disse. Realmente, ele disse que Kátia e outros políticos ajudaram gratuitamente no impasse. Contudo, em seguida emendou: “Naquele momento [ajudaram] gratuitamente. Nós tínhamos acabado de chegar e ajudaram por entender que era um benefício para o Estado. Mas aí vem justamente essa questão: ajudaram sem pagamento antecipado, mas depois vem sempre os pedidos de contribuição de campanha, na sequência”, contou aos procuradores da Lava Jato.

Atrocidade
Ainda da tribuna, essa quarta, Kátia disse que ainda não descobriu "o que os levaram a praticar tamanha atrocidade" e supôs: “A vontade desinteressada de apedrejar, diminuir e destruir pessoas? Simplesmente acusar de forma leviana e inconsequente? De ser beneficiado com a liberdade e a impunidade às custas da honra de terceiros? Para livrar a sua pele às custas de pessoas sérias e idôneas que trabalham pelo Brasil? Ou querem apenas aumentar as estatísticas e colocar todo mundo no mesmo fubá, no mesmo angu, na mesma panela?”, indagou a senadora.

Dirigindo-se à população do Tocantins, ela disse que “mesmo aqueles que não puderam votar, nunca tiveram dúvida da minha personalidade e do meu caráter: honestidade não deve ser uma bandeira, e sim uma escolha de vida". "E eu fiz essa escolha de vida. Eu e meus filhos. São 23 anos de vida pública”, defendeu.

“Faço críticas veementes contra a incompetência, a falta de gestão, as crianças, mulheres e homens morrendo nos hospitais do Tocantins, e o governo do Estado criando novas secretarias para fazer política. Isso, sim, continuarei, dura e firme na queda, fazendo em todos os momentos. Nada e nem ninguém me intimidará”, garantiu a parlamentar para, em seguida, a atacar indiretamente adversários políticos no Tocantins: “Nunca usei dinheiro público para comprar bois e fazendas. Nunca aluguei empresa de máquinas para o governo do Estado. Nunca quebrei o Igeprev, que é o instituto de previdência do Tocantins. Nunca comprei renúncia de vice-governador. Nunca cobrei propina de emenda parlamentar. Nunca chantageei empresa de concessão do meu Estado”.

A Senadora finalizou dizendo que continuará "com destemor, altivez e coragem”. “E é assim que continuei trabalhando pelo Brasil e pelo Tocantins. Nada nem ninguém, apenas Deus pode barrar os nossos planos até 2018. Aviso aos adversários, que estão hoje tão contentes, porque sonham com o meu fim, com a minha desistência ou com o meu abalo, digo que é só o começo, pois essa truculência que fizeram comigo e com alguns outros colegas que estão aqui, que estão fazendo hoje, vai me tornar mais forte, mais obstinada”, avisou.

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