Crise em novo patamar

Irritado, Temer garante em pronunciamento que não renuncia e não teme delação

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Presidente Temer faz pronunciamento: "Sei o que fiz e sei da correção dos meus atos”

Cleber Toledo
Da Redação

O presidente Michel Temer fez um rápido e irado pronunciamento e garantiu que não vai renunciar. "Não renunciarei, repito, não renunciarei. Sei o que fiz e sei da correção dos meus atos”, afirmou. Ele tratou das gravações do áudio como “clandestinas”.

Temer lembrou ter pedido ao STF o conteúdo da delação do dono da JBS, empresário Joesley Batista, mas que até agora não recebeu.

O peemedebista avaliou que seu governo viveu nesta semana "seu melhor e pior momento”, apontando a queda de inflação, os números do crescimento da economia e a oferta de empregos. Ele ressaltou ainda que as reformas avançavam no Congresso Nacional.

No entanto, disse que “todo esse esforço pode ser jogado no lixo da história” pelo que chamou de “volta do fantasma de crise política de proporção não dimensionada”. "Todo esforço para tirar o país da recessão pode se tornar inútil”, afirmou, mostrando muita irritação em seu pronunciamento.

Temer garantiu que em nenhum momento autorizou que pagassem para que alguém ficasse calado, numa referência ao suposto conteúdo do áudio gravado pelo dono da JBS, no qual o peemedebista teria dado o aval para que se comprasse o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba pela Operação Lava Jato.

O presidente assegurou não temer "nenhuma delação”. "Não preciso de cargo público, nem de foro especial. Não tenho nada a esconder, sempre honrei meu nome e nunca autorizei que usassem o meu nome indevidamente”, reforçou.

Ele disse que as acusações serão esclarecidas no processo de investigação, que ele afirmou exigir que sejam "plenas e muito rápidas". "Meu único compromisso é com o Brasil”, concluiu após garantir que não renunciaria, sendo aplaudido por servidores do Palácio do Planalto que acompanhavam a manifestação.

Nesta quinta, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin homologou a delação premiada dos irmãos Joesley Batista e Wesley Batista, donos do grupo JBS, e abriu inquérito para investigar o presidente Michel Temer.

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