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“Ele não vai poder ficar só 30 dias, tem que ficar 30 anos”, diz mãe de professora assassinada

Segundo Simara Lustosa, para família não há dúvida de que o médico Álvaro Silva cometeu o crime

Da Redação 12 de Jan de 2018 - 17h03, atualizado às 18h00
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Foto: Divulgação
Mãe de Danielle mencionou que há mensagens no celular da professora [foto] que comprovam que ela estava sendo ameaçada pelo ex-marido

Em entrevista ao CT nesta sexta-feira, 12, Simara Lustosa, mãe da professora assassinada Danielle Christina Lustosa Grohs, falou sobre a prisão do principal suspeito do crime, o médico e ex-marido da vítima, Álvaro Ferreira Silva. Segundo ela, o sentimento de toda família é de “alma lavada”.

Detido nesta quinta-feira, 11, em um cinema na cidade de Anápolis, Álvaro vai ser recambiado para Palmas. Agora, a família espera que o médico continue preso. “Ele tem que assumir e pagar, porque para nós não resta dúvida. Que a Justiça não solte e ele realmente pague pelo que fez”, afirmou Simara. “Ele não vai poder ficar só 30 dias preso, ele tem que ficar 30 anos”, enfatizou, em relação ao período de prisão temporária decretada pela Justiça.

A mãe de Danielle mencionou que há mensagens de voz no celular da professora que comprovam que ela estava sendo ameaçada e agredida pelo ex-marido. “Não existe outra possibilidade. Nós temos muitas provas no celular dela, mensagem de voz que ela deixou, a última ligação que ela fez pra mim na noite que ela foi assassinada”, contou. “Ela vivia sobre pressão e crise psicológica por medo dele”, acrescentou.

Famílias destruídas
Emocionada, durante a entrevista Simara falou que o médico "arruinou" duas famílias, já que Álvaro tem duas filhas de outro casamento e dois netos. “Ele destroçou a gente, ele acabou com a nossa vida e com a família dele também. Está sendo muito difícil. Vai demorar anos pra gente sair disso. A dor vai amenizar com o tempo, mas nunca vai se apagar”, lamentou.

Provas
A Secretaria de Segurança Pública do Estado do Tocantins (SSP-TO) informou ao CT que ainda não há provas de que Álvaro tenha sido o autor ou o mandante do crime que vitimou a professora. O médico vai prestar depoimento em Palmas e cumprir a prisão temporária decretada pela Justiça de 30 dias. Nesse período, a Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP) da Capital deve concluir as investigações e apresentar o resultado.

A Polícia trabalha com outras linhas de investigação, mas em sigilo. “Pode ser que surjam fatos novos durante o inquérito. A Polícia Civil não descarta nenhuma hipótese”, afirmou a assessoria de comunicação do órgão.

Habeas Corpus
Segundo apurou o CT, antes mesmo de ser detido, o ex-marido de Danielle já teria entrado com três habeas corpus, mas o juiz não acatou os pedidos de liberdade. O portal tentou contato com a defesa do médico, mas o celular só dava na caixa de mensagens.

Prisão
A ação que resultou na prisão de Álvaro foi comandada pelo delegado titular da DHPP, Pedro Ivo Costa Miranda, e foi realizada por policiais civis do Tocantins e de Goiás, no momento em que o médico se encontrava no interior de um Shopping Center, localizado em Anápolis.

“Já estávamos monitorando os passos do suspeito há mais de uma semana e há poucos dias, recebemos informações de que o médico estaria na cidade de Campinas [São Paulo]. Desta maneira, uma equipe da DHPP de Palmas, foi até o município paulista a fim de realizar a prisão do médico. No entanto, quando nossos policiais chegaram àquela cidade, Álvaro já havia tomado um ônibus para o município de Anápolis, onde foi possível localizá-lo e dar cumprimento ao mandado de prisão que havia contra ele. No momento em que ele estava dentro de um cinema, localizado em um shopping center da cidade”, ressaltou o delegado.

Para o delegado Pedro Ivo, a prisão de Álvaro Ferreira é de fundamental importância para que a investigação possa ser concluída com êxito. “A prisão do médico é imprescindível para a conclusão das investigações, tendo em vista que o mesmo relatou, através das redes sociais e a imprensa que seria inocente, entretanto, passado 23 dias do ocorrido, ele não procurou nenhum órgão policial para apresentar sua versão dos fatos”, lembrou.

Entenda
A professora da rede municipal de ensino de Palmas foi encontrada morta no dia 18 de dezembro, em sua residência, que fica na Quadra 1.104 Sul, com indícios de estrangulamento. A suspeita da polícia é que ela tenha sido vítima de homicídio pelo próprio ex-marido (feminicídio), já que ele respondia a processos por violência doméstica e existia até uma medida protetiva que o obrigava a manter 500 metros de distância da professora.

Dois dias antes do crime, Danielle registrou mais um boletim de ocorrência por agressão. Com isso, o ex-marido da vítima chegou a ser detido e passou a noite na prisão. Após audiência de custódia, no dia seguinte, ele foi liberado.

Simara Lustosa, mãe da professora, contou ao CT que o relacionamento do casal era "tumultuado". Ela não apontou o médico como assassino, mas revelou que ele tinha o comportamento "extremamente agressivo" e de "psicopata". Para a mãe de Danielle, o crime foi premeditado e o assassino é uma pessoa próxima, que conhecia os animais e tinha as chaves da casa.

O advogado da família, Edson Ferreira Alecrim, disse em entrevista ao portal no dia 23 que vizinhos afirmaram ter visto o suspeito saindo da casa da professora às 7 horas, no dia em que o corpo dela foi encontrado. "Então, tudo tem uma ligação de que quem cometeu o crime realmente foi ele", ponderou.

Defesa
Já a defesa do médico Álvaro Silva garantiu também ao CT que tudo que se diz sobre seu cliente “é mentira”. “Ele [Álvaro] está sendo acusado de um crime que tem como provar que não cometeu, porque não estava em Palmas”, garantiu a advogada do suspeito, que preferiu não ser identificada.

Segundo a defesa, o médico saiu da prisão para uma chácara de amigos fora de Palmas. "O que o pessoal que estava com ele tem a dizer já descarta qualquer possibilidade que ele tenha sido o autor desse crime, porque da chácara, no outro dia, ele foi direto para o aeroporto de Uber e embarcou às 7 horas”, afirmou a advogada.

- Matéria atualizada às 18 horas

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