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A floresta amazônica e a economia: a floresta agora tem vozes

Artigo 13 de Sep de 2017 - 08h12, atualizado às 09h59
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TADEU ZERBINI
É economista, especialista em Gestão Pública, professor e consultor
[email protected]
Estimados leitores e leitoras! Como vocês estão? Sobrevivendo neste calor “infernal”? Pois é, ainda vamos ter um mês pela frente até as chuvas chegarem. Enquanto isto todo o cuidado ainda é pouco. Problemas de viroses, desidratações gripes e outras doenças acabam por nos deixar menos produtivos. Seria melhor que as férias de todo mundo fosse entre agosto e setembro em nosso Estado e que os bancos, os órgãos públicos e o comércio fechasse na hora do almoço e voltasse a funcionar depois das 17 horas. Rsrs.

Por muitas décadas temos ouvido e falado sobre a floresta amazônica e sobre os impactos que os homens causam nela. É o desmatamento para várias finalidades, seja ele legal ou não. É o garimpo sem fiscalização. É a pecuária sem limites de espaço por causa da fragilidade da terra. É a soja invadindo espaços. São os madeireiros legais e ilegais desmatando tudo que encontram pela frente. Os homens e as empresas são os maiores predadores da floresta amazônica e se preciso for acabam com as reservas florestais e até mesmo, com as reservas indígenas. Mas o Governo, não pode. Concordam.

Quantos crimes de pistolagem contra ambientalistas, já não aconteceram? Quantos foram punidos com severidade e quantos outros ainda vão acontecer por grilagem de terras?

Hoje, mais do que nunca, a floresta amazônica tem vozes. Vozes que se unem pelo mundo todo em defesa do pulmão do mundo. Sabemos que muitas coisas foram feitas pelos governos e por entidades ambientalistas, mas ainda é muito pouco. Dá para fazer mais.

No mês passado, o Governo Federal “decretou” (que democracia é esta?) o fim da RENCA, que vem a ser a Reserva Nacional do Cobre e Associados com uma área de 46.450 km2 criada em 1984 e bloqueada aos investidores privados. No Decreto da criação da RENCA foi instituído que a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) teria a exclusividade para conduzir os trabalhos de pesquisa geológica para determinar e avaliar as ocorrências de cobre e minerais associados (imaginem do que se trata?). As descobertas deveriam ser negociadas com empresas de mineração, para fins de viabilizar as atividades de extração. O Governo não poderia ter tomado esta decisão tão absurda, infantil e infeliz. Primeiro pelo momento que o país atravessa pelas denuncias de corrupção e segundo porque a floresta amazônica não pode ser tratada como um “negócio”. Levou tiros por todos os lados. Vozes foram ouvidas em todo o planeta clamando pelo cancelamento do Decreto. E foram
ouvidas.

Segundo Christiane Peres, em seu Artigo: “Artistas, índios e ativistas querem revogar decreto que extingue a Renca”, ela fala que O decreto, hoje suspenso, liberava ao setor privado a atividade de pesquisa mineral numa área da Amazônia de 45 mil quilômetros quadrados, maior que Dinamarca, Bélgica e Suíça, em que antes, só o governo tinha o direito de atuar. O decreto atingiria sete Unidades de Conservação e duas Terras Indígenas, deixando a região aberta ao avanço do desmatamento e da destruição ambiental. O anúncio gerou polêmica em diversos setores, o que contribuiu para a paralisação de todos os procedimentos pelo governo.

Segundo Christiane, mesmo que o Decreto tenha sido suspenso, a mobilização popular contra a medida anunciada continuou crescendo. Até agora, a petição do Greenpeace na plataforma Avaaz já recebeu mais de 1,5 milhão de assinaturas, que foram entregues aos presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Eunício de Oliveira (PMDB-CE).

Para artistas, indígenas e ativistas, a decisão do governo faz parte de um conjunto de medidas que representam um retrocesso para a política ambiental do país. “A proposta é chamar atenção para os problemas ambientais que a gente vem vivendo, não só da Renca, mas também uma série de outros problemas, como o enfraquecimento do licenciamento ambiental, a redução de unidades de conservação, o ataque a territórios indígenas, e uma série de outras propostas que beneficiam a grilagem de terras a criminosos ambientais”, explicou Márcio Astrini, um dos coordenadores do Greenpeace, finaliza Christiane.

Atualmente, o Departamento Nacional de Política Mineral (DNPM) analisa 740 processos de interessados na mineração na reserva, que foram protocolados entre 1971 e 2016. Será que o ouro, o cobre e o lucro de grandes empresas multinacionais compensam o assalto desnecessário à floresta?

O governo alega que a extinção da reserva vai disciplinar a mineração na área, que hoje é feita por garimpos ilegais, segundo o Executivo. Ainda de acordo com o governo, a exploração mineral não vai afetar as áreas de proteção ambiental dentro da Renca. Como ele vai fazer isto se não consegue fiscalizar e administrar o que já existe de impactos na floresta? Loucura.

Pela cara do nosso Ministro, na televisão, fica clara a sua falta de experiência e, com certeza, se deixou levar por organizações interessadas nas riquezas da área que já foram levantadas pelo governo brasileiro. É muito fácil e lucrativo. A pergunta é: quem iria ganhar com a decisão tomada? Ou melhor: quem iria ganhar muito, por muito tempo com a decisão? O povo amazônico é que não.

A ganância pelo minério, seja ele de qualquer natureza, remonta á milênios e vai continuar a acontecer, mas que não seja na floresta. Segundo dados recentes, 70% dos peixes dos rios do Amapá já estão contaminados pelo mercúrio. Será que chegará a 100%?

Não existe resposta razoável pela tomada da decisão governamental em ter publicado o Decreto. A economia não gira só em torno de minérios. Existe várias outras formas de fazer o país voltar a crescer. Não vai ser com a destruição da floresta amazônica, dos índios e dos ribeirinhos que o PIB do Brasil crescerá.

Levantem as vozes. Juntos, vigiaremos a Amazônia e juntos exigimos respeito aos povos indígenas e á biodiversidade. E os pobres de espírito e interessados no lucro fácil, vamos manda-los para a Amazônia procurar ouro. Mas tem que irem a pé e sozinhos. Rsrs.....

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